Birigui
Vice-prefeito de Birigui mente e tenta culpar a Operação Raio-X por crise na Santa Casa, mas autoridades desmentem
Representantes do Ministério Público e da Polícia Civil de Araçatuba, que estiveram à frente da operação, rechaçaram as falas de Parizati, classificando-as abertamente como "fake news" e um "comentário infeliz".
Birigui - Em meio à grave crise financeira que assola a Santa Casa de Birigui, o vice-prefeito Marcelo Parizati (PSD) protagonizou uma cena no mínimo lamentável durante seu recente depoimento na Comissão Especial de Inquérito (CEI). Além de demonstrar estar totalmente perdido nas suas respostas durante as oitivas, o vice-prefeito mentiu ao tentar responsabilizar a Operação Raio-X pelos problemas financeiros da instituição e por supostos bloqueios de recursos públicos.
A afirmação descabida não demorou a ser desmentida de forma categórica pelas autoridades. Representantes do Ministério Público e da Polícia Civil de Araçatuba, que estiveram à frente da operação, rechaçaram as falas de Parizati, classificando-as abertamente como "fake news" e um "comentário infeliz".
Durante a oitiva, numa tentativa visível de desviar o foco da má gestão, o vice-prefeito questionou os bloqueios judiciais. Contudo, as autoridades precisaram vir a público ensinar o básico que o vice-prefeito parecia ignorar: não há um único centavo da Santa Casa bloqueado pela Operação Raio-X. Os bloqueios que afetam as contas do hospital são provenientes da Justiça do Trabalho, em razão de ações trabalhistas.
Os únicos bloqueios feitos pela Operação Raio-X foram diretamente nos bens e valores dos réus investigados que já foram condenados pela Justiça.
A Operação colaborou com a Santa Casa; o problema é outro
Longe de ser a vilã apontada pelo vice-prefeito em seu depoimento confuso, a Operação Raio-X fez um enorme bem para a Santa Casa de Birigui e para a população. A investigação cumpriu seu papel e colocou na cadeia a quadrilha que utilizava a instituição como fachada para desviar dinheiro público da Saúde.
As autoridades destacaram que, na verdade, a operação colaborou ativamente com o município. Um grande exemplo disso foi a devolução de veículos apreendidos dos criminosos: a Polícia Civil entregou à Prefeitura de Birigui um ônibus e uma carreta estruturados para atendimento itinerante, equipados com aparelhos de ultrassom e mamógrafo avaliados em mais de R$ 1 milhão.
Além disso, a operação já garantiu que parte do dinheiro obtido com os bens confiscados dos criminosos condenados — entre eles o médico anestesista Cleudson Garcia Montali, apontado como líder do grupo, e o ex-presidente da OSS Cláudio Castelão Lopes — seja devolvida aos cofres da Prefeitura de Birigui após os leilões de fazendas, imóveis de luxo e aeronaves.
Fica evidente, portanto, que a Operação Raio-X não é o problema da Santa Casa de Birigui, mas sim a ação que limpou a corrupção do hospital. A tentativa do vice-prefeito de reescrever a história e culpar o trabalho da Justiça apenas evidencia o quão perdido ele está sobre a verdadeira realidade da Saúde do município.