Escândalo político
Vereador denuncia prefeita e parlamentares por suposto uso de cargos e vagas de trabalho
A denúncia protocolada na Câmara aponta troca de favores com secretarias e a "frente de trabalho" municipal.
Bento de Abreu - O vereador Athos Coelho Ferreira protocolou uma denúncia por infração político-administrativa contra a prefeita de Bento de Abreu, Terezinha do Carmo Salesse, e os vereadores Jorge Barbosa de Oliveira, José Maria Felipe e Flávio Alves Siqueira, o “Pipa”. O documento pede a abertura de apuração sobre o suposto uso de cargos públicos e benefícios municipais para angariar e manter apoio político.
De acordo com a representação, os fatos envolvem uma articulação política para aprovação de um projeto de lei que criava novas secretarias, além do direcionamento de vagas na chamada "frente de trabalho" do município.
Reunião e gravação de áudio O ponto central da denúncia envolve uma reunião ocorrida em 22 de junho de 2026, antes de uma sessão extraordinária. Participaram do encontro a prefeita Terezinha, o vereador Athos e o aliado político Vitor Paulo Rigatte.
Conforme a transcrição de um áudio anexado ao documento, a conversa tratava do voto de Athos para aprovar a criação da Secretaria de Desenvolvimento, que seria destinada a Vitor Rigatte. A prefeita teria afirmado ao parlamentar que precisava do apoio dele para consolidar a aliança e nomear o aliado.
Indicações na "frente de trabalho" Outro eixo sob investigação diz respeito à "frente de trabalho". A denúncia menciona os vereadores Jorge, José Maria e Pipa em articulações para a indicação de beneficiários no programa. O objetivo da apuração é checar se vagas e recursos do poder público foram concedidos sem critérios objetivos e impessoais para garantir sustentação política na Câmara.
Retirada do projeto de pauta Após Athos recusar o acordo, a prefeita teria feito uma ligação determinando o recolhimento da proposta. Na gravação, é reproduzida a fala atribuída à chefe do Executivo: “Pode retirar. Tá? Todos. […] Não. Não vai ter solução.” A ligação teria sido direcionada ao vereador Pipa, o que motivou o pedido de investigação sobre a conduta e participação do parlamentar no episódio.
Apuração e possibilidade de cassação Com base no Decreto-Lei nº 201/1967, a denúncia requer a apuração individualizada da conduta dos agentes públicos por violação da dignidade e do decoro do cargo.
A representação solicita a requisição de documentos sobre a frente de trabalho, perícia do áudio e depoimentos dos envolvidos. Caso as irregularidades sejam comprovadas ao final do processo, resguardados o contraditório e a ampla defesa, o documento pede a abertura de processos de cassação e o envio do caso ao Ministério Público.