Brasil
Venda de carros novos vai atingir o maior nível em 12 anos no Brasil
A projeção da Anfavea aponta que o mercado automobilístico brasileiro vai fechar o ano com cerca de 3,1 milhões de veículos emplacados
Brasil - Se você andou passando em frente às concessionárias da nossa região e percebeu os pátios cheios de novidades, com muita gente negociando e trocando o usado por um zero-quilômetro, saiba que o caixa das montadoras está rindo à toa e o mercado nacional caminha para um ano histórico de faturamento!
O mercado automobilístico brasileiro deverá encerrar 2026 com aproximadamente 3,1 milhões de veículos novos vendidos, o maior volume em 12 anos. A nova estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) aponta crescimento de 15,2% em relação a 2025, mostrando que o brasileiro ligou a chave da ostentação!
Os dados, que saíram em uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada no domingo (11), revelam que a entidade precisou revisar para cima suas expectativas após os resultados positivos registrados nos primeiros nove meses do ano. A meta agora é de 3,099 milhões de veículos emplacados até dezembro, acima dos 3,014 milhões previstos anteriormente. Se a fita se confirmar no balcão de dezembro, essa será a marca mais elevada desde 2014.
E tudo isso rolou impulsionado principalmente pela expansão das vendas de automóveis e comerciais leves, apesar dos juros elevados e das dificuldades de financiamento que continuam travando o crédito.
Carros de passeio e picapes puxam o acelerador
O verdadeiro motor dessa explosão de compras é o segmento que todo mundo usa no dia a dia. O principal motor da expansão do setor em 2026 é o segmento de automóveis e comerciais leves, que inclui veículos de passeio, picapes e furgões. O otimismo é tanto que a Anfavea elevou sua projeção de vendas dessa categoria de 2,885 milhões para 2,970 milhões de unidades, um salto de 16,4% sobre o ano passado!
A corrida para garantir o plástico no banco tem motivos claros: a briga de foice entre as marcas e os incentivos do governo. Entre os fatores que contribuivram para a expansão estão a competição mais intensa entre as marcas, as ofertas comerciais das montadoras e iniciativas voltadas à redução do preço de determinados modelos. Para dar uma força extra para o bolso, os programas federais Carro Sustentável e Move Brasil também aparecem entre os estímulos ao mercado, dando descontos fiscais para modelos que poluem menos.
Descompasso na fábrica: Venda dispara, mas produção nacional anda de marcha à ré
O único bafafá dessa história é que as linhas de montagem das montadoras instaladas no Brasil não estão conseguindo acompanhar o pique das lojas. A produção nacional cresce menos que as vendas, criando um verdadeiro descompasso entre a comercialização de automóveis e a atividade industrial.
Para se ter uma ideia, em setembro, as vendas subiram 2,3%, enquanto a fabricação de veículos registrou queda de 1,1% no mesmo período. A Anfavea revisou sua estimativa de produção para 2,822 milhões de veículos em 2026, crescimento de 6,7% em relação ao ano anterior, ou seja, bem abaixo dos 15,2% de alta nas lojas. No total, de janeiro a setembro, foram emplacados aproximadamente 2,26 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no país.
E quem está aproveitando para fazer a festa nesse espaço vazio são as marcas estrangeiras, principalmente as fabricantes chinesas, que estão invadindo o país trazendo carros prontos ou peças desmontadas nos regimes chamados de CKD e SKD. Aproximadamente 123 mil veículos ingressaram no Brasil por meio dessas modalidades em 2026, o que tem tirado o sono dos diretores nacionais, preocupados com a competitividade da nossa cadeia de fornecedores.
Veículos pesados sofrem o impacto do crédito travado
Se o mercado de carros de passeio está voando baixo, as concessionárias de caminhões e ônibus estão operando em um ritmo bem mais modesto e enfrentando dificuldades com juros elevados. A Anfavea reduziu suas estimativas para caminhões e ônibus e passou a prever retração de 6,5% nas vendas desses segmentos em 2026. Como as transportadoras dependem de financiamentos de longo prazo para renovar as frotas, o custo do crédito acabou azedando os planos de compras.
Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados em 5 de outubro, as vendas de caminhões acumularam queda de 3,9% entre janeiro e setembro.
A boa notícia é que o mês de setembro registrou resultados expressivos nas concessionárias, atingindo o melhor resultado para o mês da série histórica considerada pela entidade. O presidente da Fenabrave, Arcelio Junior, destacou que a demanda permanece aquecida: “O mercado continua demonstrando demanda por veículos novos, mesmo em um ambiente ainda complexo de crédito”, afirmou o dirigente à agência Reuters. A entidade sinalizou que pode fazer uma nova revisão em novembro, de olho no movimento de balcão das lojas em outubro. Que o mercado continue acelerando forte!