saúde e bem estar
Unicamp confirma circulação do vírus Mayaro em áreas urbanas de Roraima
Estudo alerta para o risco de nova ameaça viral transmitida por mosquitos em regiões impactadas pelo desmatamento.
Pesquisadores da Unicamp confirmaram a circulação do vírus Mayaro em humanos no estado de Roraima. O estudo analisou amostras coletadas entre 2018 e 2021 e identificou a presença da doença em pacientes em áreas urbanas. A descoberta acende um alerta sobre a possível adaptação do patógeno fora do ambiente silvestre.
O vírus Mayaro provoca sintomas semelhantes aos da chikungunya, incluindo febre e dores articulares que podem durar meses. O que intriga os cientistas é que muitos infectados não tiveram contato recente com áreas de mata. Isso sugere que o ciclo de transmissão pode estar mudando para as cidades.
"A gente está se pondo lá. Alguns serão extintos, mas os vírus têm uma capacidade enorme de adaptação, alta taxa de mutação, e ocorre uma seleção de um que seja capaz de infectar e transmitir entre pessoas."
Desequilíbrio ambiental e novas ameaças
O levantamento apontou que 60% das amostras de pacientes febris deram negativo para os vírus conhecidos. Esse cenário indica que novos patógenos podem estar surgindo devido ao desmatamento e ao garimpo ilegal. O impacto ambiental força o contato humano com microrganismos antes isolados na floresta.
Embora o mosquito Haemagogus seja o vetor tradicional, existe o temor de que o Aedes aegypti assuma esse papel. Testes de laboratório já confirmaram que o mosquito urbano é capaz de transmitir o Mayaro. Uma eventual disseminação em larga escala preocupa as autoridades pela falta de imunidade da população.
Com informações de Ciência e Saúde (G1).