CASO DAMIÃO
Pai e filho são condenados após emboscada e ataque com faca contra vereador em Araçatuba
Filho pega 11 anos de cadeia por tentativa de homicídio qualificado e pai pega 4 anos em regime semiaberto por lesão corporal grave; Ministério Público vai recorrer
Araçatuba - Nesta quinta-feira (27), o Tribunal do Júri de Araçatuba bateu o martelo no caso do ataque contra o vereador Damião Brito. O filho, Patrício Ferreira dos Santos, pegou 11 anos e 8 meses de prisão por tentativa de homicídio qualificado. Já o pai, Jair Rossi dos Santos, foi condenado a 4 anos, 9 meses e 18 dias por lesão corporal grave.
A confusão aconteceu no dia 3 de abril de 2023, no Parque Baguaçu, por causa de uma briga por dinheiro na compra e venda de uma chácara. Jair tinha comprado o imóvel parcelado, mas acumulou débitos e acabou assinando um acordo de confissão de dívida de R$ 65 mil com Damião.
No dia do crime, Jair chamou o vereador para se encontrarem dizendo que ia pagar uma parcela. Damião foi até o local no seu Hyundai HB20 e deu carona para pai e filho. No meio do caminho, Jair meteu uma faca no pescoço do vereador e mandou ele não reagir, enquanto Patrício encorajava o pai a matar a vítima.
Damião tentou segurar a lâmina da faca para se defender, teve cortes fundos e acabou perdendo a ponta do dedo mínimo da mão esquerda (falange amputada). Desesperado, ele tentou pular do carro em movimento, mas ficou preso no cinto de segurança e foi arrastado por cerca de 200 metros depois que Patrício assumiu a direção e acelerou. A vítima só conseguiu se soltar quando o carro passou de raspão por outro veículo na pista.
A dupla fugiu para Birigui e largou o carro num canavial perto da Rodovia Gabriel Melhado. A perícia encontrou sangue no veículo e até a ponta do dedo do vereador.
O Ministério Público tinha acusado os dois por tentativa de homicídio duplamente qualificado e furto, mas o júri decidiu diferente:
Patrício: Começa a cumprir a pena no regime fechado e continua preso preventivamente.
Jair: Teve a conduta mudada para lesão corporal grave e vai para o regime semiaberto, podendo recorrer em liberdade.
O Ministério Público avisou que vai recorrer para tentar aumentar a punição. Já os advogados de defesa, Bruno Barros Mendes e William Cardoso Dias, comemoraram o resultado como uma vitória técnica, pois os jurados aceitaram a desclassificação do crime para o pai e a diminuição de pena pelo privilégio no caso do filho.