Deu ruim pro Abel!
STJD aumenta gancho e técnico do Palmeiras pega três jogos de suspensão por chute em microfone
Pleno do tribunal pesou a mão após treinador descontar a raiva no equipamento em jogo contra o Mirassol; português fica fora do clássico contra o São Paulo e das partidas contra Grêmio e Bahia.
São Paulo - A situação complicou para o comando técnico do Palmeiras. Nesta sexta-feira, o Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu aumentar a suspensão do técnico Abel Ferreira para três partidas. O motivo da punição pesada foi o chute em um microfone durante o confronto contra o Mirassol, válido pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Na primeira instância, o treinador palmeirense havia sido punido com dois jogos fora. No entanto, ao julgar o recurso, o Pleno decidiu aumentar a pena com base no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que pune atitudes consideradas conduta contrária à disciplina desportiva.
Com essa nova canetada do tribunal, Abel não poderá comandar o Verdão no clássico contra o São Paulo, agendado para este sábado no Nubank Parque, e também desfalca o banco de reservas nos duelos contra Grêmio e Bahia, todos pela Série A.
Vale lembrar que o português esteve no comando da equipe no empate contra o Botafogo, no último domingo, porque a diretoria alviverde havia conseguido um efeito suspensivo concedido pelo STJD. Com a nova decisão definitiva, a punição volta a valer imediatamente a partir do Choque-Rei.
Arbitragem no radar e absolvições
A confusão também rendeu desdobramentos para a equipe de arbitragem daquele jogo:
O árbitro João Vitor Gobbi foi advertido por ter deixado de relatar a atitude do treinador na súmula.
O quarto árbitro, Roger Goulart, e o árbitro de vídeo (VAR), Ilbert Estevam da Silva, foram absolvidos pelo tribunal.
Relatora detona atitude: "Mau exemplo"
A relatora do processo, a auditora Antonieta Silva Pinto, não poupou críticas à postura de Abel durante a audiência. Para ela, o treinador "demonstrou destempero e não mediu as consequências dos seus atos", destacando a surpresa com o "mau exemplo" vindo de um profissional tão vitorioso.
"Ao chutar o microfone, ele demonstrou destempero e não mediu consequência do seu ato. Ao proceder com fúria, o técnico mais vitorioso da história recente do Brasil aponta que é normal descontar instabilidade emocional em objetos. A atitude pode incitar animosidade dos torcedores contra a equipe de arbitragem. O dano patrimonial não é normal no futebol. Não é correto chutar", declarou a relatora.
Defesa do Verdão aponta perseguição
A defesa do Palmeiras, comandada pelo advogado André Sica, rebateu a acusação e recordou que Abel já tinha cumprido uma punição de seis jogos aplicada pelo próprio tribunal em abril. Para o advogado, a corte estaria "julgando a pessoa e não o fato".
"A procuradoria praticamente pediu a expulsão do treinador do Brasileiro. Qual o motivo disso? O chute em um objeto inanimado, um microfone. Estamos aqui porque a casa já puniu o Abel com seis jogos e está insatisfeito porque o comportamento do Abel permaneceu quente. Se estivéssemos julgando só pelo microfone, a defesa seria muito fácil", argumentou o advogado.
Apesar da sustentação da defesa, a maioria dos auditores seguiu a denúncia. Houve divergência apenas sobre a quantidade de jogos, mas a proposta de ampliar a pena para três partidas acabou vencendo.
Presidente do tribunal rebate o Palmeiras
O presidente do STJD, Luís Otávio Veríssimo Teixeira, fez questão de responder ao argumento do advogado palmeirense, negando qualquer tipo de perseguição pessoal e defendendo a dosagem da pena dada a reincidência do treinador em infrações disciplinares dentro do período de um ano.
"Apenas para refutar incisivamente a alegação de que aqui se está fazendo juízo de temperamento ou de pessoa. Está sendo julgado de fato. Existe uma conduta disciplinar típica e devidamente ignorada pela arbitragem. Não tem como levar em consideração a reincidência. É a segunda, dentro dessa janela de um ano", pontuou o dirigente.