Mexe-mexe sem fim
SBT troca 10 apresentadores no fim de tarde, mas audiência não sai do lugar
Emissora tentou de tudo, do Tá na Hora ao SBT Cidades, mas jornalismo das 18h segue empacado nos 3 pontos de média disputando o 3º lugar com a Band.
São Paulo - A novela do fim de tarde no SBT parece não ter fim! Na tentativa de recuperar o jornalismo no horário nobre e bater de frente com a concorrência, a emissora promoveu uma verdadeira dança das cadeiras, trocando de formato, horário e comando. Mas a estratégia não deu em nada: em pouco mais de dois anos, dez apresentadores foram testados ou anunciados, e o Ibope continua firme na casa dos 3 pontos de média, num chove-não-molha que divide o terceiro e quarto lugares com a Band e o seu Brasil Urgente.
A maratona começou em março de 2024, quando o Tá na Hora estreou comandado por Christina Rocha e Marcão do Povo. Acostumada com o Casos de Família, Christina sentiu o peso do formato policial e das transmissões ao vivo, pedindo para sair menos de um mês depois. Marcão seguiu no barco, dividindo a bancada primeiro com Márcia Dantas (que tentou equilibrar o policialesco com prestação de serviço) e depois tocando a atração sozinho até o final do ano.
A cartada mais ousada veio em dezembro de 2024, quando o SBT tirou José Luiz Datena da Band para assumir o Tá na Hora. O objetivo era bater de frente com o próprio filho do apresentador, Joel Datena. Mas os ponteiros não saíram dos 2 aos 3 pontos, e Datena pediu rescisão em maio de 2025.
Em seu lugar entrou Dani Brandi, que pegou o período mais turbulento de mudanças de horários e cobriu até o fim do programa em agosto, quando foi migrada para o ressuscitado Aqui Agora. Mas antes do Aqui Agora voltar de vez, os bastidores ferveram: o polêmico Macedão da Chinelada chegou a ser anunciado ao lado de Dani, mas a parceria azedou no primeiro dia e durou apenas 24 horas — a tentativa mais curta de toda a história!
Quando o Aqui Agora finalmente emplacou, a bancada ganhou o reforço de Marco Pagetti e uma surpresa: Geraldo Luís, que trouxe sua pegada popular e emotiva, mas pulou fora quatro meses depois, em dezembro de 2025. Para colar as placas, o SBT escalou Darlisson Dutra. Mesmo com a nova formação, o desgaste do formato foi inevitável e o programa saiu do ar em 2026.
A cartada mais recente foi Rodrigo Bocardi, que estreou em agosto de 2026 no comando do SBT Cidades ao lado de Érica Reis. O programa até começou com o pé direito vencendo a Band no primeiro dia, mas estacionou nos mesmos 3 pontos. Pouco mais de um mês depois, Bocardi deixou a casa após polêmicas envolvendo sua empresa de mídia — acusações que ele negou e que o SBT declarou não ter encontrado provas, mas que resultaram no fim do contrato.
Moral da história: a sequência de reformas provou que a bronca do SBT no fim de tarde vai muito além de quem segura o microfone. Foram dois anos trocando de nomes, títulos e propostas editoriais, mas a emissora ainda não encontrou a identidade certa para fidelizar o público da faixa das 18h.