Esportes
Santos suspende marca da Novibet após MP que proíbe as bets no Brasil
O contrato de R$ 35 milhões por ano não foi encerrado, mas o clube decidiu arrancar a patrocinadora do uniforme antes do clássico contra o São Paulo por conta da força de lei da nova MP
Santos - O bicho pegou para o mercado da bola e o Santos resolveu se antecipar para não arrumar problemas com a lei! O Peixe decidiu suspender a exposição das propriedades de marketing da Novibet. A decisão veio logo após a Medida Provisória bombástica que proibiu a exploração e a publicidade das casas de apostas no Brasil. A reportagem apurou que, mesmo com o sumiço da marca, o contrato entre o clube e a empresa continua vigente neste momento.
Ou seja, para o torcedor entender: a parceria, portanto, não foi encerrada. O Santos mantém o vínculo no papel, mas deixa de exibir e promover a parceira nas suas redes, estádio e camisas enquanto estiver impedido pela canetada do Governo Federal. Enquanto esse cenário provocado pela MP não tiver uma definição final, a Novibet deixa de ter sua marca veiculada nas propriedades comerciais do Peixe.
Essa separação de termos é importante porque a própria MP prevê um período de transição para contratos publicitários que já estavam em vigor. O Governo avisou que novas contratações estão proibidas desde a publicação da medida, mas materiais de acordos antigos podiam continuar aparecendo até o dia 5 de outubro.
Mesmo com esse refresco no prazo, a diretoria alvinegra preferiu não arriscar e passou o cerol na exposição desde já. Por conta disso, a tendência é que o manto apareça limpo, sem a marca no peito, já no clássico contra o São Paulo, nesta sexta-feira, no Morumbis. O desfalque é de peso: a Novibet ocupa o espaço de patrocinadora máster do Santos, num acordo fechado em fevereiro deste ano por três temporadas, que rende um pagamento fixo de R$ 35 milhões por ano, além de bônus variáveis.
O que diz o decreto do Governo?
A MP nº 1.394 foi publicada na última sexta-feira (25) e proíbe em todo o país a exploração, oferta e a publicidade das apostas de quota fixa, o que inclui palpites esportivos e cassinos online. Como o texto tem força de lei desde sua publicação, o mercado virou de ponta-cabeça.
As empresas entraram em contagem regressiva. Novos depósitos de apostadores foram bloqueados na hora e os usuários correm contra o tempo: têm até as 23h59 do dia 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis nos sites. No dia seguinte, 6 de outubro, as plataformas saem do ar de vez. Para piorar a situação das empresas, o texto oficial diz que a extinção das autorizações ocorre por interesse público, tirando qualquer direito a indenização por investimentos feitos ou lucros que elas esperavam ter.
O baque no futebol brasileiro
Essa mudança é uma verdadeira bomba no mercado de patrocínios do futebol brasileiro, onde as bets mandavam em quase todas as camisas de clubes da Série A e B.
No Santos, a consequência imediata será a retirada da exposição da Novibet. Agora, os departamentos jurídico e financeiro vão ter que rebolar para administrar o dinheiro. Afinal, o contrato segue de pé, mas o clube está de mãos atadas e não pode entregar nenhuma das contrapartidas de marketing previstas no acordo.