Araçatuba
Prefeitura registra boletim de ocorrência após postagem de vereador sobre morte de idosa
Município registrou boletim de ocorrência para preservar seus direitos após publicação do vereador Damião Brito sobre a morte de uma idosa
Araçatuba - A Prefeitura registrou um boletim de ocorrência não criminal após uma publicação feita pelo vereador Damião Brito (Rede) nas redes sociais sobre a morte de uma idosa de 84 anos. Segundo a administração municipal, o objetivo do registro foi preservar os direitos do município diante das informações divulgadas pelo parlamentar.
De acordo com o boletim, elaborado por um representante da Procuradoria Jurídica do Município, a publicação informava que a paciente teria morrido no Pronto-Socorro Municipal "Aida Vanzo Dolce" enquanto aguardava transferência para um hospital de maior complexidade. O vereador destacou que acompanhava o caso por atuar como vice-presidente da Comissão Permanente de Saúde e também como membro da CPI da Saúde da Câmara Municipal.
No entanto, a Prefeitura afirmou que a informação não estava correta, já que o óbito aconteceu após a transferência da paciente para a Santa Casa de Araçatuba. A administração também anexou uma nota oficial informando que a idosa recebeu assistência médica contínua durante todo o período em que aguardou uma vaga regulada e que estava hemodinamicamente estável quando foi transferida.
Procurado pela reportagem, o vereador Damião Brito explicou que publicou a informação com base nos relatos recebidos do advogado que acompanhava a família da paciente na delegacia. Segundo ele, assim que foi informado sobre o equívoco por um assessor da Prefeitura, fez a correção da postagem.
“Recebi uma ligação do assessor e, no mesmo momento, corrigi a publicação, deixando claro que a morte ocorreu após a demora na transferência para a Santa Casa. A reclamação da família é que a vaga só saiu depois de três dias e meio de espera”, afirmou.
O parlamentar também disse que considera o registro do boletim uma forma de intimidação.
“Eu já havia conversado com o assessor da Prefeitura e o assunto estava resolvido. Depois fiquei sabendo pela imprensa que o município tinha registrado o boletim. Sou presidente da Comissão Permanente da Saúde e membro da CPI da Saúde. Meu papel é fiscalizar”, declarou.
Em nota, a Prefeitura reforçou que o boletim foi registrado apenas para preservação dos direitos da administração municipal e que, até o momento, não foi adotada nenhuma medida administrativa ou judicial relacionada ao caso.
O caso
A situação envolve a morte de uma idosa de 84 anos que permaneceu cerca de três dias internada no Pronto-Socorro Municipal aguardando transferência para um hospital com estrutura mais adequada para seu tratamento.
Segundo boletim registrado pela filha da paciente, a transferência para a Santa Casa ocorreu apenas no dia 29 de maio, e a idosa morreu cerca de 20 minutos após dar entrada na unidade.
A família questiona se uma transferência mais rápida poderia ter mudado o desfecho do caso.
Em manifestação anterior, a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross) informou que a vaga foi disponibilizada em 29 de maio e destacou que a atualização das informações clínicas dos pacientes durante o processo regulatório é responsabilidade da unidade de origem.
Já a Prefeitura sustenta que a paciente recebeu atendimento contínuo durante todo o período em que esteve no pronto-socorro e afirma que houve negativas de vagas em oito hospitais da região antes da transferência ser efetivada para a Santa Casa.