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Polícia investiga morte de menino após laudo apontar sinais de maus-tratos
Inquérito aponta que versão de queda em brinquedo é incompatível com laudos. Nicolas Prado tinha fraturas e cicatrizes. Mãe e padrasto são suspeitos.
Votuporanga - Uma investigação da Polícia Civil apontou uma reviravolta na causa da morte de Nicolas Souza Prado, de 6 anos, após sua festa de aniversário no dia 9 de outubro de 2023, em um buffet infantil. Inicialmente registrado como um acidente em um brinquedo pula-pula, o inquérito concluído no dia 30 de junho revelou que o menino tinha marcas de agressões em série.
O relatório final do inquérito, concluído pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG), nesta quinta-feira (2). Conforme o documento enviado ao Ministério Público, a versão contada na época pela família é incompatível com a gravidade e a quantidade de lesões identificadas no corpo da criança pelos médicos e peritos criminais.
Nicolas vivia com a mãe e o padrasto, que são os principais suspeitos do crime, segundo a polícia. A investigação constatou que há indícios de que os traumatismos que tiraram a vida do menino foram provocados por agressões contínuas no ambiente familiar.
Um vídeo de uma câmera de segurança, entregue pelo buffet infantil à Polícia Civil, mostra Nicolas caminhando normalmente na saída da festa, após a suposta queda no brinquedo pula-pula.
Para os investigadores, as imagens reforçam a hipótese de que o menino não apresentava sinais compatíveis com lesões graves imediatamente após o acidente, o que reforça a investigação de que os ferimentos apareceram dias depois.
Após a queda, Nicolas foi levado pela mãe a um hospital particular, onde os médicos constataram uma lesão no braço direito. Medicado, ele recebeu alta no mesmo dia. Dois dias depois, em 10 de outubro, voltou à unidade com febre, foi novamente atendido e liberado.
No dia seguinte, diante da persistência das dores, o pai levou o menino novamente ao hospital. Exames de tomografia revelaram um quadro grave: quatro costelas fraturadas, outras duas trincadas, além de uma fratura no esterno (um osso plano e alongado localizado na parte central do peito).
De acordo com os laudos, as lesões perfuraram um dos pulmões, provocando acúmulo de líquido na cavidade torácica. Nicolas passou por uma cirurgia para drenagem no dia 13 de outubro, mas o estado de saúde piorou nas horas seguintes. Após sofrer paradas cardiorrespiratórias, morreu no dia seguinte.
A perícia e o prontuário de atendimento, no entanto, desmontaram a farsa ao constatar:
Lesões agudas: fraturas recentes em quatro costelas, além de graves traumatismos no tórax e no braço esquerdo;
Sinais de maus-tratos: diversos hematomas e cicatrizes em diferentes estágios de evolução e cura espalhados pelo corpo, o que comprova espancamentos sucessivos ao longo do tempo;
Agonia: o menino suportou as dores internas e permaneceu internado sob cuidados intensivos por cinco dias antes de sofrer uma parada cardiorrespiratória e morrer.
A advogada que representa o buffet, Mariflavia Peixe de Lima, informou que os donos do estabelecimento colaboraram com as investigações. Ainda conforme a advogada, o inquérito policial comprovou que a morte de Nicolas não teve relação casual com os brinquedos.
Procurado pela reportagem, o advogado, Douglas Fontes, que representa o padrasto ressaltou, em nota, a inocência do cliente. A defesa também disse confiar que a apuração será conduzida com "isenção e rigor técnico", manifestou solidariedade à família de Nicolas e ressaltou que o caso ainda está em fase de investigação, sem denúncia ou processo criminal.
"Jamais praticou qualquer ato de maus-tratos, agressão ou violência contra Nicolas, criança com quem mantinha relação de afeto e cuidado, reconhecida nos próprios autos da investigação inclusive por familiares do menino", consta na nota.