Esportes
Polícia deflagra operação contra esquema digital em ingressos do Palmeiras a pedido de Leila Pereira
O "Rapa" tático aconteceu nesta terça-feira (13) sob o comando do delegado Cesar Saad da DRADE
São Paulo - Se você é torcedor do Verdão e já cansou de passar raiva no balcão digital de vendas, vendo as entradas para os grandes jogos esgotarem em três minutos para depois aparecerem por uma fortuna na mão de malandros na internet, a casa caiu feio para a máfia dos ingressos!
A Polícia Civil do Estado de São Paulo iniciou nesta terça-feira uma operação de combate ao cambismo digital, envolvendo a venda ilegal de ingressos para jogos do Palmeiras como mandante. O ponto de partida para quebrar as pernas do esquema foi uma canetada de peso: a investigação começou a partir do pedido de instauração de inquérito policial feito pela presidente Leila Pereira.
O pente-fino burocrático e operacional ficou sob a responsabilidade de equipes especializadas de segurança. A ação da Polícia Civil foi conduzida pelo delegado Cesar Saad, por meio da Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE), vinculada ao Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), e com a colaboração do Palmeiras.
Os robôs (bots) que limpavam o balcão oficial de vendas
O esquema era de uma engenharia cibernética muito avançada e que dava um nó no torcedor comum. Um trabalho interno realizado pela Auditoria Interna do clube identificou, no início deste ano, a atuação de um grupo suspeito de usar ferramentas tecnológicas, incluindo robôs automatizados (bots), para comprar ingressos em grande quantidade, o que dificultava a compra dos torcedores por meio do canal oficial de venda. A partir disso, foi instaurado um inquérito para investigar o esquema criminoso.
Na prática, a malandragem operava fazendo a festa com dados alheios. A apuração identificou indícios de uso indevido de cadastro de torcedores, permitindo que os bilhetes fossem revendidos por canais não oficiais, posteriormente, por valores superiores aos definidos pelo clube, deixando o bolso do palmeirense limpo.
15 mandados de busca, fraude facial e munição de fuzil
O dia amanheceu com os policiais civis batendo na porta dos golpistas com ordens judiciais de balcão. Nesta terça-feira, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão na capital paulista e em municípios do interior e da Região Metropolitana de São Paulo. O cerco foi certeiro: a operação apreendeu aparelhos celulares, notebooks, documentos contendo anotações e cadastros de torcedores relacionados ao sistema de reconhecimento facial, desvendando como eles burlavam a segurança de acesso do Allianz Parque.
E o bafafá de informática virou caso de crime pesado de balcão. Os policiais também encontraram, na casa de um dos investigados, uma arma de fogo calibre .22 com numeração removida, além de munições de outros calibres, incluindo 9mm e de fuzil.
Encontrar esse arsenal com cano raspado mudou o tom da fita: isso motivou a adoção das providências de polícia judiciária para um pedido de prisão em flagrante [1] do sujeito.
Os trabalhos estão longe do fim, e o computador dos suspeitos vai passar por uma varredura rigorosa. As investigações seguirão com a análise dos materiais apreendidos para identificar todos os envolvidos, a fim de esclarecer a extensão do esquema e apurar as responsabilidades de cada um deles. O recado do Palmeiras e da DRADE está dado: com o bolso da torcida ninguém brinca!