Região
Polícia Civil pega condenado por matar vizinho com tiro de espingarda
Crime aconteceu por causa de briga antiga por cerca de sítio; lavrador ficou quase sete anos como foragido até ser capturado pela polícia.
Penápolis - A Polícia Civil botou as mãos na quarta-feira (2) no lavrador Odilme José dos Reis Júnior, de 61 anos. Ele foi condenado a 12 anos e 3 meses de prisão no regime fechado por ter assassinado o vizinho de propriedade, o agricultor Márcio Mendes de Souza, de 41 anos. Essa história trágica aconteceu em maio de 2010, num sítio no bairro rural do Ranchinho, em Barbosa, município bem do lado de Penápolis.
Pelo que apuraram na época, os dois tinham um desentendimento antigo que já vinha azedando a relação. Na noite do domingo antes do assassinato, Reis Júnior chegou a procurar a polícia para denunciar que cerca de 150 metros da cerca que dividia as duas propriedades tinham sido danificados. Ele também disse que outros 20 metros da cerca na beira da rodovia Assis Chateaubriand (SP-425) estavam arrebentados e cismou que Souza era o autor dos danos.
Depois que o homicídio aconteceu, a polícia conversou com uma testemunha que revelou que a vítima estava morrendo de medo, pois sabia que o acusado achava que ele é quem tinha quebrado a cerca da propriedade.
O momento do tiro
Essa mesma testemunha contou que esteve com Souza na manhã de segunda-feira e se ofereceu para tirar fotos da cerca para levar ao delegado e provar que ele não tinha nada a ver com a história. Só que, enquanto tiravam as fotos, Reis Júnior ficou só de olho, observando tudo da janela da casa dele.
Logo depois, o acusado encostou a caminhonete ao lado da cerca danificada e a vítima foi conversar com ele. Os dois tiveram uma breve discussão e foi aí que o sentenciado sacou a espingarda e atirou direto na cabeça do vizinho, que estava a poucos metros da testemunha e morreu na hora. Para não virar alvo do disparo, a testemunha se escondeu atrás de uma árvore, enquanto o autor do homicídio fugiu de caminhonete em seguida.
A condenação na Justiça
Na época, Reis Júnior teve a prisão preventiva decretada e chegou a se apresentar na polícia com um advogado. Mais tarde, a Justiça revogou a prisão e ele passou a responder pelo crime em liberdade.
O julgamento no Tribunal do Júri de Penápolis aconteceu em 13 de agosto de 2014, quando o réu foi condenado a 14 anos e 3 meses de prisão por homicídio qualificado pelo motivo torpe e com recurso que dificultou a defesa da vítima, em sentença proferida pelo juiz Marcelo Yukio Misaka.
Teve recurso no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), que manteve a decisão, mas depois o STJ (Superior Tribunal de Justiça) reduziu a pena para 12 anos e 3 meses porque considerou a confissão espontânea do réu. Quando a sentença transitou em julgado, o mandado de prisão foi expedido em setembro de 2019, mas o homem sumiu do mapa e não foi encontrado.
A captura do foragido
Depois de um intenso trabalho investigativo, a equipe do 1º Distrito Policial da Polícia Civil de Penápolis descobriu que o procurado podia estar escondido em uma propriedade rural bem na divisa entre Avanhandava e Promissão.
Na quarta-feira, por volta das 20h30, os investigadores fizeram campana no local e viram o foragido saindo do sítio dirigindo um carro. Eles fizeram a abordagem, confirmaram a identidade do sentenciado e deram cumprimento ao mandado de prisão.
Ele foi levado para o plantão policial de Penápolis e passou por audiência de custódia nesta quinta-feira (3), ficando à disposição da Justiça para começar a cumprir a pena. A Polícia Civil destacou que a captura foi fruto do empenho e da persistência da equipe, que usou tecnologia e investigação de campo para localizar o condenado após quase sete anos na condição de foragido.