CASO NA ESCOLA
Polícia aponta que "pazada" em estudante de Birigui não teria proporcionalidade com lesão grave
Imagens de câmeras mostram que cabo de pá de lixo apenas encostou na cabeça de jovem de 13 anos; hospital aponta que problema de saúde que o levou à UTI não tem relação com o episódio.
Birigui - A avaliação preliminar da Polícia Civil de Birigui aponta que a batida com uma pá de recolher lixo na cabeça de um estudante de 13 anos — que chegou a ser internado na UTI da Santa Casa de Araçatuba — não teria potencial direto para causar uma lesão grave na vítima.
Entenda a cronologia do caso
O episódio aconteceu no dia 29 de julho, em uma escola estadual de Birigui. Após o ocorrido, o estudante atingido voltou para casa normalmente ao deixar a aula. Porém, dois dias depois, ele foi levado ao pronto-socorro pela mãe ao apresentar queixas. Foi só nesse momento que a família soube da eventual agressão sofrida no ambiente escolar.
Devido a uma intercorrência, o adolescente acabou encaminhado para a Santa Casa de Birigui e precisou ser internado na UTI na madrugada seguinte. O hospital confirmou que, durante todo o período, o garoto permaneceu consciente e respirando sem ajuda de aparelhos.
O que mostram as imagens de segurança?
Assim que tomou conhecimento do caso por meio de um ofício do Conselho Tutelar, o delegado Ícaro Oliveira Borges, do 1.º Distrito Policial de Birigui, instaurou um procedimento preliminar para apurar eventual ato infracional de lesão corporal.
Ao analisar as câmeras de monitoramento da escola, a polícia fez uma descoberta importante:
As cenas mostram que o colega aparentemente apenas encostou o cabo da pá (que é semelhante a um cabo de vassoura) na cabeça da vítima;
O garoto atingido sai andando normalmente logo em seguida;
Ao prestar depoimento, o estudante envolvido disse que tudo não passou de uma brincadeira na saída da escola.
"Sem gravidade proporcional", mas investigação continua
Com base no material em vídeo, a polícia considera preliminarmente que houve uma agressão, mas que a conduta do colega não condiz, de forma atécnica, com a gravidade do resultado, ou seja, um possível trauma craniano.
Apesar disso, a polícia faz ressalvas e aguarda os próximos passos:
O delegado aguarda o laudo do exame de corpo de delito para atestar com precisão a gravidade de eventual lesão;
Foi solicitado que o pronto-socorro de Birigui e a Santa Casa de Araçatuba enviem os prontuários e detalhes dos atendimentos;
Hipótese: A investigação não descarta a possibilidade de que o leve toque com o cabo tenha desencadeado o rompimento de algum vaso sanguíneo ou veia, ocasionando o problema de saúde diagnosticado dias depois.
Problema de saúde não associado à agressão
Na última segunda-feira (10), a Santa Casa de Araçatuba informou que o jovem teve alta da UTI no sábado (8) e foi para um leito de Enfermaria do Serviço de Neurocirurgia.
De acordo com o boletim médico do hospital, o paciente estava em observação por causa de um ponto revelado em um exame de imagem que não está associado à ocorrência que motivou sua internação, isto é, à suposta agressão.
O adolescente apresenta boa evolução, está interativo, com mobilidade e boa disposição, aguardando apenas o período padrão de observação pós-UTI para receber a alta hospitalar.