Polícia
PF mira senador Ciro Nogueira na Operação Compliance Zero: "mesada" de até R$ 500 mil por mês, Park Hyatt em Nova York e voos privados
Esquema investigado liga ex-ministro de Bolsonaro ao banqueiro preso Daniel Vorcaro em troca de atuação favorável ao Banco Master no Congresso; STF proíbe contato com testemunhas
Na manhã de 7 de maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou a 5ª fase da Operação Compliance Zero, tendo como principal alvo político o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro-chefe da Casa Civil no governo Bolsonaro e presidente nacional do Progressistas. A ação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, e resultou em dez mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao senador e familiares no Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal, além da prisão temporária de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, e bloqueio de R$ 18,85 milhões em bens dos investigados.
A PF aponta, em relatório detalhado enviado ao STF, que as supostas vantagens ao senador se dividiam em quatro frentes. A primeira foi a aquisição, por empresa ligada à família do senador (CNLF Empreendimentos, administrada pelo irmão Raimundo Neto), de 30% da Green Investimentos S.A. por apenas R$ 1 milhão — valor que a PF estima estar muito abaixo dos R$ 13 milhões que a fatia valem no mercado. A segunda frente eram pagamentos mensais que chegaram a variar de R$ 300 mil a R$ 500 mil, operados pela "parceria BRGD/CNLF" — siglas das empresas ligadas a Vorcaro e ao senador. Em mensagens interceptadas, um intermediário pergunta a Vorcaro se "os meninos" deveriam continuar pagando "conta dos restaurantes do Ciro/Flávia". O banqueiro respondeu: "Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths."
A terceira frente envolvia o custeio de viagens internacionais em voos privados, hospedagens no luxuoso Park Hyatt de Nova York e despesas em restaurantes de alto padrão para o senador e acompanhante. A quarta frente indicaria o uso do mandato parlamentar em benefício do Banco Master: a PF cita uma emenda apresentada por Nogueira para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão — medida que, segundo investigadores, teria sido redigida com participação de integrantes do banco. O STF proibiu Ciro Nogueira de manter qualquer contato com testemunhas ou demais investigados. O advogado Kakay, que defende o senador, negou todas as acusações.
Fonte: Agência Pública, Poder360, BM&C News, CNN Brasil, Correio do Brasil