A Voz do Povo
OPINIÃO | Prefeita entrega santinhos em fábrica durante a tarde e atitude gera questionamentos
Imagem da prefeita distribuindo material político dentro de uma fábrica durante a tarde gera questionamentos sobre sua postura e sobre a separação entre o cargo público e a atividade eleitoral.
Birigui - A atitude da prefeita de Birigui, Samanta Paula Albani Borini, de aparecer distribuindo material político dentro de uma fábrica, por volta das 15h, merece atenção e, principalmente, explicações à população.
Segundo as imagens que chegaram à redação, a prefeita aparece entregando santinhos no ambiente da empresa. A situação chama atenção porque, naquele momento, a população pode questionar se a atividade estava relacionada às funções do cargo ou a uma atividade de natureza político-eleitoral.
A questão não é impedir que uma prefeita participe de atividades políticas. O ponto central é a separação entre a função pública e os interesses eleitorais, especialmente quando a autoridade ocupa o cargo máximo do município.
Também é importante fazer uma distinção jurídica: a legislação eleitoral proíbe determinadas formas de utilização da estrutura e dos serviços públicos em campanha. O Tribunal Superior Eleitoral, porém, ressalta que as condutas vedadas precisam se enquadrar exatamente nas hipóteses previstas em lei e que agentes políticos não estão necessariamente submetidos a uma jornada fixa como um servidor comum.
Por isso, somente a presença da prefeita em uma fábrica às 15h, por si só, não permite afirmar que houve improbidade administrativa ou crime eleitoral. Para uma conclusão desse tipo, seria necessário saber, entre outras coisas, se houve utilização de servidores, veículos, estrutura ou recursos públicos e qual era a finalidade daquela atividade.
Mas existe uma questão que independe de uma eventual infração: qual é a mensagem passada à população?
Enquanto o cidadão espera que o prefeito esteja dedicado às demandas do município, uma aparição pública para distribuição de material político durante a tarde naturalmente provoca questionamentos sobre prioridades, finalidade e uso do tempo destinado às atividades públicas.
A prefeita pode e deve explicar o motivo da visita, em que condição estava no local e se havia alguma atividade oficial relacionada à Prefeitura.
Transparência, nesse caso, não é favor. É uma obrigação política de quem ocupa um cargo público e administra uma cidade inteira.
O cidadão tem o direito de perguntar — e a prefeita tem o dever de explicar.