Araçatuba
“Não teve celular escondido”: Vereador Damião Brito quebra o silêncio após operação por suspeita de rachadinha
Investigado por suposta 'rachadinha', Damião Brito exibiu pistola legalizada e alegou estar sendo vítima de perseguição política em ano eleitoral.
Araçatuba - O vereador Damião Brito, soltou o verbo nas redes sociais nesta sexta-feira (3). Em um vídeo postado em seus perfis, ele se manifestou publicamente pela primeira vez após ser alvo de um mandado de busca e apreensão judicial, cumprido pela Polícia Civil na última terça-feira (30). A ação faz parte de um inquérito que apura denúncia de prática de rachadinha.
No vídeo, Damião garantiu que está de portas abertas. "O meu departamento jurídico já tinha deixado avisado que a minha casa e o meu gabinete estão à disposição. A polícia pode vir a qualquer hora, não precisa de mandado", disparou o parlamentar.
Na operação, a polícia recolheu o celular do vereador, o da esposa dele e também mirou um advogado que trabalhava com ele no final do ano passado, época do suposto crime.
A polêmica dos celulares e o telhado
A história dos aparelhos deu o que falar. Segundo a polícia, ao ser questionado na sua casa, o vereador alegou que ele e a esposa tinham perdido os celulares na noite anterior. Só que, nas buscas pelo imóvel, os policiais acharam o celular dele caído na calha do telhado, e o da esposa debaixo de um guarda-roupa, enrolado em um tecido.
O vereador também recusou fornecer as respectivas senhas de desbloqueio dos aparelhos. No vídeo, ele justificou que não quis colaborar dessa forma porque os celulares têm "coisas pessoais" e fotos da esposa, além de ele repetir a mesma senha para tudo.
"Se tivesse de ir lá na delegacia eu coloco a senha, sem problema nenhum. Não teve celular escondido, o celular estava dentro da minha residência", defendeu-se.
Pistola na mesa do gabinete?
Outro ponto que Damião fez questão de esclarecer — e até de exibir no vídeo — foi sobre sua arma de fogo. A ex-assessora que o denunciou afirmou que ele deixava uma arma sobre a mesa do gabinete para coagir os funcionários a devolver parte do salário e do ticket de alimentação, e que ele teria dito que era primo de um líder de facção criminosa.
Na coletiva da polícia, o delegado Seccional, Getúlio Nardo, disse que a arma não tinha sido localizada. Mas Damião desmentiu a informação e provou que apresentou a pistola e a respectiva documentação aos policiais no dia da busca, que a deixaram com ele.
"Minha arma está aqui comigo, totalmente legalizada pela Polícia Federal. Já sofri tentativa de homicídio e sofro ameaça constante", reforçou.
Perseguição política e investigação
Damião Brito jura que a denúncia é perseguição porque estamos em ano eleitoral e ele estaria mexendo com "gente grande" em suas fiscalizações na saúde e no transporte. Ele garantiu que vai continuar firme na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde.
Apesar do desabafo, o calo é apertado: o vereador é investigado por possível crime de concussão (artigo 316 do Código Penal), que é quando um funcionário público exige vantagem indevida usando o cargo. Se for condenado, a pena vai de 2 a 12 anos de prisão, mais multa.
Além da ex-assessora que abriu o boletim de ocorrência em outubro do ano passado, um segundo ex-assessor também procurou a delegacia acusando o vereador da mesma prática. O inquérito continua correndo e a polícia agora espera os laudos da análise dos conteúdos dos celulares, do computador e dos cartões de memória que foram apreendidos na operação.