Polícia
MP denuncia guardas de Birigui por tortura e abuso de autoridade
Birigui - A casa caiu para dois guardas civis municipais de Birigui. O Ministério Público (MP) denunciou a dupla nesta terça-feira pelos crimes de tortura e abuso de autoridade. A bomba veio depois que a Polícia Civil fechou o inquérito que investigava uma abordagem violenta contra uma mulher de 32 anos, no ano passado.
A denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça Rodrigo Mazzilli Marcondes. Segundo a acusação, os agentes pesaram a mão com violência física e psicológica para obrigar a mulher a dar o paradeiro do namorado e confessar detalhes sobre o furto de uma motocicleta. Como usaram o cargo para cometer os excessos, também responderão por abuso de autoridade.
Por conta do sigilo processual, os nomes dos guardas e da vítima não foram divulgados para evitar a exposição e revitimização da mulher.
Medidas cautelares
O MP achou melhor não pedir a prisão preventiva dos investigados por enquanto. Em vez disso, exigiu medidas cautelares à Justiça.
Afastamento do cargo: O guarda que continua na corporação deve ser tirado das atividades operacionais (rua).
Sem arma: Ele também deve perder o direito ao porte e uso de arma de fogo enquanto rolar a ação penal.
E o outro? O segundo acusado não entrou nessa lista porque pediu exoneração para morar em outro Estado.
A investigação e a versão da vítima
Tudo começou na madrugada de 21 de março de 2025. A mulher foi achada num imóvel abandonado e assumiu que participou do furto da motocicleta, dizendo que o namorado estava junto e que o veículo já tinha ido para Araçatuba.
Só que, mesmo depois de falar tudo, a apuração mostrou que ela virou alvo de agressões e ameaças para entregar onde o companheiro estava escondido.
O inquérito revelou detalhes pesados: a vítima tomou golpes no tórax e no abdômen. E não parou por aí. Em depoimento, ela contou que foi levada para um cemitério, jogada dentro de uma cova e ameaçada de morte com uma arma apontada para a cabeça.
Lesões confirmadas no exame
Quando chegou à Delegacia, a mulher estava em choque, desmaiando e com muitas dores. O exame de corpo de delito não mentiu: confirmou as lesões no peito e na barriga causadas por "instrumento contundente".
Os guardas negaram as acusações. Um deles jurou que ela se machucou sozinha ao tentar fugir e cair. Só que essa historinha caiu por terra com os depoimentos de policiais civis, médicos e com as provas reunidas na investigação.
Qual é a próxima etapa?
Agora a peteca está com o Judiciário. Se o juiz aceitar a denúncia do Ministério Público, os dois agentes viram réus oficialmente por tortura e abuso de autoridade. Por enquanto, eles respondem ao processo em liberdade.