Entretenimento
Michael (2026) - Compensa ver o filme do Rei do Pop?
Esperar o filme chegar nos streaming ou ir ao cinema?
Compensa assistir o filme do michael Jackson?
Essa foi a minha dúvida “será que compensa ver mais uma cinebiografia ou eu espero chegar nos streamings?”. Decidi ir pela experiência e me surpreendi!
Vá e deguste da grandiosidade da obra e da persona do “rei do pop”. Você irá encontrar um desenvolvimento de personagem intrigante (do Juliano Valdi que é o Michael criança ao Michael jovem/adulto, Jaafar Jackson, sobrinho do Michael Jackson).
Chegando ao cinema, sente-se do meio para cima, aquele leve movimento de inclinação superior da cabeça fará você observar os acontecimentos como se fizesse parte dos traumas de Michael com posterior acompanhamento de seu brilhantismo. Você sentirá na pele as batidas das músicas e a dor intrínseca da pessoa para o artista que influencia em sua vida e no desenvolvimento do filme.
Eu cheguei a indagar “será que Michael Jackson seria o Rei do Pop caso o seu pai inexistisse ou se não fosse o carrasco que foi?”. E explico o raciocínio.
O filme se desenvolve desde a infância dos The Jackson 5, Michael e seus irmãos cantando, dançando e performando sob o comando de seu pai, Joseph Walter "Joe" Jackson (Colman Domingo). Ele treina os jovens e os leva para os shows, mas este “treino” é eivado de abusos psicológicos, agressões e tudo que o Estatuto da Criança e Adolescente repudia atualmente.
Seu pai dissocia a relação de parentesco entre os jovens, os fazendo chamá-lo de Joseph, tornando o relacionamento extremamente profissional, sem amor, sem palavras de aconchego (que ficou a cargo da mãe dos jovens Katherine Jackson, interpretado por Nia Long), sem descanso.
Caso ele não gostasse da apresentação os jovens apanhavam ou tinham que treinar após os shows. E aqui se insere a questão principal de minha dúvida: “ Michael dançava, cantava, era extremamente bom, mas a que ponto ele seria o que foi caso inexistisse tal pressão?”.
Me lembrei do filme Whiplash – em Busca da Perfeição (aquele do professor de bateria careca que fez com que seu aluno, ora personagem principal, treinasse até sangrar as mãos tocando bateria), isso porque a raiva que você sente do professor e do pai de Michael é semelhante. Pois bem, com o desenvolvimento do filme, transpassando do Michael jovem para o adulto, percebo que era DOM. A pressão quando atinge níveis extremos que prejudicam a saúde mental nos faz ser controlados pelo outro... E foi essa a luta implícita no filme.
A ausência de infância faz com que Michael não cresça, não tenha seu pleno desenvolvimento ficando apegado a história de Peter Pan e ao contato exagerado com crianças. Esse detalhe é importantíssimo!
Na época em que o Rei do Pop estourou, os grandes estúdios musicais não davam relevância aos artistas pretos, havia um preconceito explícito, porém Michael venceu tais preconceitos e virou rei. Entretanto o seu brilhantismo ofuscou os artistas brancos das outras gravadoras e houve um ataque intensivo contra a sua reputação, dizendo que o vitiligo era um procedimento para embranquecimento, que ele praticava abusos contra menores e etc.
O filme irá mencionar vagamente e implicitamente tais situações, muito velado, focará no desenvolvimento de alguns álbuns, músicas sensacionais, e você se sentirá parte do processo criativo.
O sobrinho de Michael Jackson, Jaafar Jackson, o interpreta de uma maneira fenomenal, a dança e os trejeitos nos fazem relembrar o Rei do Pop, provavelmente ao sair do cinema você irá querer ver algum show, documentário, pois há uma nostalgia gostosa. Me surpreendi com a voz de seu intérprete, visto que ele quem cantou em alguns momentos icônicos de capela ou preencheu a voz original de Michael em algumas músicas.
A resposta de minha indagação inicial é “compensa assistir o Michael”. Aproveite a nostalgia e a satisfação de termos boas obras audiovisuais.