política
Mauro Vieira critica rótulo de terrorismo para facções criminosas brasileiras
Chanceler afirmou na OEA que classificação dos EUA para PCC e Comando Vermelho gera confusão e não ajuda a desmantelar o crime.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira (23) que rotular organizações criminosas como terroristas gera confusão na comunidade internacional. Durante discurso na Assembleia Geral da OEA, o chanceler defendeu que a medida não ajuda a desmantelar as facções brasileiras.
A declaração ocorre após o governo dos Estados Unidos classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas no início de junho. Para Vieira, essas estruturas são movidas essencialmente pelo lucro e pelo controle de territórios ilícitos, exigindo estratégias específicas de combate.
"Devemos resistir à tentação de reclassificá-lo sob rótulos que confundem fenômenos de naturezas distintas. Categorias importadas de outros contextos não contribuem para desmantelar as redes criminosas."
Soberania e cooperação internacional
O governo brasileiro argumenta que atribuir termos inadequados a essas organizações pode limitar o intercâmbio de inteligência. Além disso, o Itamaraty teme que o rótulo de terrorismo sirva de pretexto para intervenções que ignorem as fronteiras e a soberania nacional.
Apesar das divergências sobre a nomenclatura, o presidente Lula mantém a disposição de aceitar ajuda americana via cooperação bilateral. O governo brasileiro já entregou ao presidente Donald Trump propostas de parcerias para fortalecer o enfrentamento ao crime organizado.
Com informações de G1 Política.