Brasil
Justiça marca novo julgamento que pode mudar situação de Deolane Bezerra na prisão
Tribunal de Justiça de São Paulo analisa habeas corpus apresentado pela defesa da influenciadora
São Paulo - O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) marcou para terça-feira (27), às 13h30, um novo julgamento do habeas corpus apresentado pela defesa de Deolane Bezerra. A sessão será presencial, no Palácio da Justiça, na capital paulista, e poderá definir se a influenciadora continuará presa ou se haverá alguma mudança na situação dela.
Deolane está presa preventivamente desde maio de 2026, no âmbito da Operação Vérnix, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A nova análise acontece cerca de dois meses depois de a Justiça decidir manter a prisão da advogada e influenciadora. Com o julgamento, os advogados terão mais uma oportunidade de tentar reverter a decisão. No entanto, a realização da sessão não significa que ela será solta.
Por que Deolane continua presa?
Em agosto, a 3ª Vara de Presidente Prudente decidiu manter a prisão preventiva de Deolane e dos demais réus, após um pedido do Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Entre os motivos apresentados pela Justiça estavam a garantia da ordem pública e econômica, a necessidade de preservar a investigação criminal e o objetivo de assegurar a aplicação da lei penal.
A decisão também apontou indícios de uma possível atuação organizada e permanente de uma organização criminosa, além do risco de continuidade das atividades investigadas.
Na ocasião, a defesa classificou a manutenção da prisão como “desnecessária, ilegal e desproporcional”. Os advogados afirmaram que Deolane é inocente, negaram qualquer ligação dela com uma organização criminosa e sustentaram que as movimentações financeiras da influenciadora são resultado de atividades empresariais lícitas e de honorários advocatícios.
O que a Operação Vérnix investiga?
De acordo com a denúncia do Ministério Público, os investigados fariam parte de uma organização criminosa suspeita de esconder e disfarçar dinheiro proveniente de atividades ilícitas atribuídas ao PCC.
Segundo a acusação, o grupo seria dividido em três núcleos: decisório, operacional e financeiro. Deolane é apontada pelos promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) como integrante do núcleo financeiro.
O Ministério Público afirma que ela teria participado da ocultação de recursos por meio de contas bancárias ligadas a ela e a empresas, além da transformação de valores em bens de alto valor econômico.
A denúncia também cita o possível uso de empresas de fachada e de pessoas conhecidas como “laranjas” — aquelas que aparecem formalmente em operações para esconder quem seria o verdadeiro responsável pelo dinheiro ou patrimônio.
As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo. A defesa nega que Deolane tenha envolvimento com a organização criminosa.
Justiça já negou pedido anterior
Em julho, o TJ-SP negou por unanimidade um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa da influenciadora.
Na ocasião, a relatora do caso, desembargadora Renata Cantello, entendeu que os argumentos apresentados pelos advogados não demonstravam ilegalidade na prisão preventiva nem justificavam a substituição da medida por prisão domiciliar.
A magistrada também mencionou que a inscrição de Deolane na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) estava suspensa desde a decretação da prisão.
Agora, o tribunal voltará a analisar um pedido da defesa. O resultado poderá indicar se a prisão preventiva será mantida ou se haverá alguma alteração na situação da influenciadora.
Onde Deolane está presa?
Deolane Bezerra está custodiada no Pavilhão Especial da Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, desde 21 de maio de 2026.
Além dela, a denúncia da Operação Vérnix envolve outros investigados. O Ministério Público também informou que Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho permaneciam foragidos. Essa situação foi citada pela Promotoria entre os argumentos para defender a manutenção das prisões preventivas.
Importante: as acusações fazem parte de uma investigação e de um processo judicial, e não devem ser tratadas como condenação definitiva. O julgamento do habeas corpus analisará a situação da prisão preventiva, não necessariamente a culpa ou a inocência da influenciadora.