Birigui
Justiça aceita denúncia do MP e torna réus guardas municipais acusados de torturar mulher em cemitério
Afastamento imediato de agente e recolhimento de armas foram determinados; exame de corpo de delito confirmou graves lesões internas na vítima.
Birigui - A Justiça de Birigui aceitou a denúncia do Ministério Público (MP) contra dois guardas municipais acusados de levar uma mulher até o Cemitério da Consolação e agredi-la violentamente. A intenção da dupla seria forçar a vítima a contar onde estava o namorado dela, suspeito de furtar uma moto.
Com a decisão, Robson Gudaitis Ferro Júnior e Jean Panegossi Cebinel viraram réus no processo pelos crimes de tortura praticada por agente público e abuso de autoridade. A Justiça determinou o afastamento imediato de Robson da Guarda Municipal, com recolhimento das armas, distintivo e carteira funcional, além da proibição do porte de arma particular. O outro acusado, Cebinel, já pediu exoneração e mudou de estado.
A apuração conduzida pelo delegado Eduardo Lima de Paula e reforçada pelo laudo de exame de corpo de delito mostrou que a mulher sofreu lesões graves no abdômen, no tórax e teve sangramentos internos. Quando foi entregue na delegacia pelos guardas, a vítima estava em pânico e chegou a desmaiar. Funcionários do cemitério confirmaram que a viatura usou o local naquela madrugada.
Ambos os réus estão proibidos de manter qualquer contato com a vítima e testemunhas. Se descumprirem as medidas impostas, a Justiça pode decretar a prisão preventiva deles. Os acusados negam as agressões e alegam que os ferimentos ocorreram porque a mulher pulou muros para fugir. Em nota, a Prefeitura de Birigui disse que vai cumprir as ordens judiciais assim que for notificada formalmente e ressaltou que o processo corre em segredo de Justiça.