Brasil
JOGO DE EMPURRA EM BRASÍLIA! Oposição tenta adiar votação da escala 6x1 para depois do 2º turno
O senador Rogério Marinho (PL-RN) chamou a pressa do governo de "oportunista" e criticou a tentativa de votar a PEC no meio do processo eleitoral;
Brasília - A novela sobre as mudanças na jornada de trabalho ganhou mais um capítulo tenso nos bastidores do Congresso Nacional, e a bancada contrária ao governo quer travar os ponteiros do relógio! A oposição no Senado Federal quer empurrar a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre o fim da escala 6x1 para depois do segundo turno.
A correria para barrar o projeto começou após uma movimentação do comando do legislativo. A mobilização ocorre após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ter sinalizado que a pauta pode ser colocada em votação na semana que vem em primeiro turno. Os parlamentares de direita acham que o momento não é adequado para decidir algo tão importante.
Quem botou a boca no trombone foi uma das principais lideranças do bloco conservador. O senador Rogério Marinho (PL-RN) disse nesta quarta-feira (7) que "não faz bem ao país" votar a PEC em meio ao processo eleitoral.
"Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado”, disparou Rogério Marinho a jornalistas no Congresso.
Acusações de oportunismo e "desespero" do Planalto
O senador foi para o ataque político, mas preferiu esconder o jogo tático. Ele, no entanto, não disse qual a estratégia a oposição usará para isso — se vão esvaziar o plenário ou obstruir a pauta. Marinho afirmou que essa é uma "medida desesperada" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tentar a reeleição.
O líder da oposição bateu firme na tecla de que o Palácio do Planalto quer usar a pauta como cabo eleitoral. "Nós achamos que a discussão agora é oportunista, não nos negamos a discutir jornada, esse ou outro qualquer outro assunto. Agora, o presidente Lula está desesperado para encontrar alguma forma para se reconectar com o eleitorado", disse o senador.
O drible de Alcolumbre e o almoço no Palácio
No fim das contas, a canetada final é de um homem só. A decisão de pautar ou não a PEC é do presidente da Casa. É bom lembrar que a proposta está parada desde maio no Senado e Alcolumbre evitou discutir o texto para não "contaminar" as eleições. Ao longo dos últimos meses, o governo tentou convencer o senador a pautar o texto, mas não teve resultado prático.
O gelo só quebrou recentemente num encontro de cúpula. As conversas só avançaram em um almoço realizado entre Lula, Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) no final de agosto. Foi ali que eles definiram a agenda de votações da semana de espaço concentrado e a PEC estava entre elas. No entanto, até agora, a única definição, naquele momento, foi a aprovação do texto na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), e o Plenário promete ser uma verdadeira trincheira.