Araçatuba
Homem é preso em flagrante por maus-tratos e tortura contra o enteado de 10 anos
Garoto era agredido com mangueira, ficava ajoelhado por horas e faltava à escola; mãe sabia das agressões e Lei Henry Borel foi acionada.
Araçatuba - Um homem de 38 anos foi preso em flagrante pela Polícia Civil, na tarde de quarta-feira (16), acusado de desferir agressões físicas e praticar maus-tratos contra o próprio enteado, um menino de apenas 10 anos, em Araçatuba.
A casa caiu após uma denúncia anônima no canal 197 alertar que o garoto sofria agressões recorrentes em casa, o que causava diversas lesões pelo seu corpo e justificava as frequentes faltas à escola. O Conselho Tutelar já tinha sido avisado da situação antes.
Marcas do absurdo e castigos severos
Para apurar a história, os policiais civis foram primeiro na escola da vítima. Os funcionários confirmaram que o aluno viva faltando, aparecia com hematomas pelo corpo e demonstrava um comportamento de medo do padrasto.
Depois, os agentes foram até a residência da família, onde a mãe autorizou a entrada. No papo com a polícia, o menino contou o calvário que vivia e mostrou lesões recentes e antigas nos braços e pernas. Ele ainda era submetido a castigos severos, sendo obrigado a ficar ajoelhado por longos períodos por bobagens do dia a dia ou notas da escola. Uma mangueira, usada no espancamento, foi apreendida para a perícia.
Mãe omissa e prisão preventiva
No local, o acusado admitiu informalmente que dava castigos físicos para "corrigir" o menino, enquanto a mãe confirmou que sabia de tudo. O Conselho Tutelar acompanhou o caso e viu marcas de agressão nos pés, braços, coxas e pernas do garoto, que disse não entender o porquê de apanhar tanto. A mãe admitiu que via as cenas de violência e não fazia nada para proteger o filho, jogando a culpa no comportamento da criança.
Na delegacia, durante o interrogatório formal, o homem ficou de bico calado e exerceu o direito de permanecer em silêncio. A autoridade policial ratificou a prisão em flagrante e pediu a conversão em prisão preventiva.
Foram aplicadas medidas protetivas de urgência com base na Lei Henry Borel para proteger o menor. Agora, o Conselho Tutelar busca familiares aptos para cuidar do garoto ou encaminhará o menino para o acolhimento institucional para garantir sua integridade física e psicológica.