Brasil
Governo propõe plataforma pública para concorrer com Uber e iFood, com comissão máxima de 10% e valor mínimo por entrega
A proposta apresentada quer criar um sistema digital de transporte e delivery nos moldes do Pix
Brasil - Se você trabalha fazendo entregas, roda como motorista de aplicativo ou é dono de restaurante e vive reclamando das comissões abusivas que deixam o seu faturamento nas mãos das multinacionais, uma reviravolta política promete balançar o mercado de delivery e transporte no Brasil! A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma proposta para criar uma plataforma pública capaz de disputar usuários com empresas como Uber e iFood. A iniciativa, que foi divulgada pelo portal Pragmatismo Político em reportagem publicada em 6 de outubro, integra o debate eleitoral de 2026 e já está gerando o maior bafafá no balcão de discussões.
Entretanto, o aplicativo ainda não existe. O projeto de balcão digital é apenas uma promessa de campanha e depende de definições técnicas, administrativas e financeiras antes de uma eventual implementação prática.
Para acalmar o mercado, os coordenadores avisam: Uber e iFood seriam proibidos? Não. A ideia não é passar o cadeado nas empresas privadas, mas sim criar um concorrente público para que os trabalhadores e passageiros possam escolher o melhor serviço. Veja como funcionaria o plano contábil e operacional:
Taxa de 10% é o principal atrativo para engolir rivais
O grande golpe comercial do aplicativo público está no bolso de quem trabalha. Um dos pontos centrais da proposta é estabelecer um limite de 10% para a taxa de intermediação cobrada pela plataforma pública. Atualmente, o percentual retido pelas plataformas privadas flutua de acordo com cada corrida ou entrega, comendo uma fatia pesada do faturamento.
Com o novo modelo, a campanha afirma que pretende aumentar a parcela do pagamento destinada aos profissionais e estabelecimentos. Mas fique ligado: a proposta de 10%, porém, não representa uma redução automática das taxas cobradas por Uber e iFood, já que as gigantes privadas continuariam seguindo as regras de seus próprios serviços e a legislação vigente de mercado.
Entregadores teriam remuneração mínima garantida
Além de morder menos comissão, o projeto quer dar estabilidade para quem roda de moto ou bike. A ideia é estabelecer um valor mínimo por serviço realizado, buscando oferecer maior previsibilidade aos rendimentos no final do mês.
A conversa resgata debates anteriores da bancada federal. Em março de 2026, o governo federal defendeu uma remuneração mínima de R$ 10 para entregas de até quatro quilômetros, com acréscimo de R$ 2,50 por quilômetro adicional. Porém, a tabela definitiva de pagamentos do futuro aplicativo público ainda dependeria de novas regras que seriam adotadas em decretos posteriores.
O Pix como exemplo de viabilidade tecnológica
Para justificar que o governo tem tamanho para gerenciar um sistema desse tamanho, a campanha utiliza o Pix como exemplo da capacidade brasileira de desenvolver sistemas digitais de grande alcance.
Contudo, os especialistas de balcão alertam que gerenciar trânsito e comida exige uma engenharia digital muito mais complexa do que uma transferência bancária. Para o app rodar, seriam necessários mecanismos de geolocalização, distribuição de pedidos, segurança, atendimento aos usuários e prevenção de fraudes, além de convencer milhões de passageiros a migrarem para o novo sistema para garantir um volume regular de corridas.
Restaurantes também poderiam pagar menos
Para os donos de lanchonetes e pequenos negócios, a novidade seria um alívio nas planilhas, já que a comissão representa um dos maiores custos envolvidos na comercialização por delivery hoje em dia. Uma plataforma com taxa máxima de 10% seria uma opção adicional de contratação.
Até o momento, não há confirmação de quando a ferramenta estaria disponível aos brasileiros, pois ainda permanecem sem detalhamento questões importantes, como o órgão responsável pela administração, os recursos necessários, as regras de governança e a total proteção dos dados pessoais dos usuários. O jogo político das plataformas está só começando!