Esportes
Governo autoriza venda de camisas com marcas de casas de apostas fabricadas antes da proibição
A atualização divulgada nesta terça-feira (6) traz um alívio para marcas como Adidas, Nike e Puma
Brasil - O Governo Federal abriu uma exceção para o comércio esportivo não amargar um prejuízo bilionário com roupas encalhadas nas prateleiras! Em atualização publicada nesta terça-feira (6) pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Governo Federal autorizou a venda de camisas de times de futebol estampadas com marcas de casas de apostas desde que tenham sido fabricadas antes da Medida Provisória (MP 1394/2026).
Essa MP polêmica foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de setembro e proibiu as bets no Brasil. Com a nova canetada de hoje, a Secretaria afirma que a comercialização das mercadorias que já estaban em estoque anteriormente não significa necessariamente novas propagandas, ações de marketing ou patrocínio ativo com os clubes. Ou seja: o que já estava pronto pode ser vendido até acabar o estoque.
Pressão das gigantes Adidas, Nike e Puma surte efeito
A determinação traz um novo desdobramento ao caso e acontece como uma resposta aos questionamentos levantados pela Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (ÁPICE). A organização, atuante no setor e que reúne empresas influentes do segmento, entre elas Adidas, Nike e Puma, questionou o Governo Federal sobre o destino das vestimentas fabricadas legalmente antes das novas regras, que impedem a atuação das casas de apostas no Brasil. Se a resposta fosse negativa, o prejuízo da indústria seria gigantesco.
Mas atenção: a colher de chá é só para o comércio varejista! A liberação, no entanto, não autoriza o uso das peças com marcas de bets por parte dos clubes em partidas, treinamentos, redes sociais ou atividades comerciais. O prazo para os times limparem o visual já venceu: as equipes, inclusive, tiveram até a última segunda-feira para adequar seus uniformes às determinações da MP e desvinculá-los das casas de apostas de forma definitiva. Em campo, a censura às marcas é total.
O fim do "dinheiro fácil" e a dependência do futebol paulista
A MP que barra as bets decreta o fim do "dinheiro fácil" para clubes. A decisão radical do chefe do Executivo, que busca sua reeleição neste final de ano, afeta diretamente o futebol brasileiro, completamente dominado por publicidades do setor nos últimos anos.
Em entrevista, o renomado especialista em finanças desportivas Amir Somoggi deu um puxão de orelha nos dirigentes. Ele afirmou que a medida representa o fim do "dinheiro fácil" para as equipes do país, culpando as administrações pela dependência de verbas ligadas às apostas:
"Os clubes são muito responsáveis por terem ficado dependentes de uma única fonte de receita. As casas de apostas representam mais de um terço de toda a receita de marketing dos clubes, é muita dependência. Mas é o que eu chamo do 'easy money', o dinheiro fácil", disparou Amir, sócio-fundador da Sports Value.
Para o analista, as diretorias falharam gravemente no planejamento estratégico. O especialista também citou uma suposta obviedade na decisão de Lula em acabar com as bets no Brasil, e como os times poderiam ter se preparado para isso.
"Os clubes poderiam ter sido mais inteligentes e terem diversificado, neste momento de aumento de receita, terem buscado novas fontes, porque já se sabia que, cedo ou tarde, elas seriam limitadas aqui no Brasil", concluiu.