Acidentes
Família de mulher que morreu após acidente em Birigui denuncia possível falha no atendimento médico
Marido de Lúcia de Fátima Ribeiro de Andrade, de 53 anos, registrou boletim de ocorrência após a morte da esposa
Birigui - Após a morte de Lúcia de Fátima Ribeiro de Andrade, de 53 anos, ocorrida nesta terça-feira (20), o marido dela procurou a polícia para relatar uma possível falha no atendimento médico recebido pela esposa após um acidente de trânsito em Birigui. A família questiona a primeira avaliação feita no Pronto-Socorro Municipal Dr. Alceu Lot e pede que as circunstâncias sejam apuradas.
Conforme o boletim de ocorrência, o acidente aconteceu na manhã de sábado (17), por volta das 8h30, no cruzamento das ruas Santos Dumont e Faustino Segura, nas proximidades do Fórum de Justiça. A colisão envolveu uma motoneta Honda Biz, conduzida por Lúcia, e um automóvel dirigido pelo ex-prefeito de Birigui, Leandro Maffeis.
Após a batida, Lúcia sofreu ferimentos e passou a sentir fortes dores, principalmente na região abdominal. Ela foi socorrida e encaminhada ao Pronto-Socorro Municipal.
Marido questiona primeiro atendimento
Segundo o relato do marido à polícia, Lúcia recebeu atendimento médico no sábado e foi liberada para voltar para casa. Ainda conforme a versão apresentada por ele, a médica teria atribuído as dores ao impacto da colisão e prescrito medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios.
No domingo (18), porém, a mulher teria desmaiado e precisou retornar à unidade de saúde. Durante o novo atendimento, ela passou por uma cirurgia, quando foi identificada uma perfuração no intestino.
De acordo com o marido, a paciente também apresentava uma infecção grave relacionada aos ferimentos provocados pelo acidente.
Mulher foi transferida para a UTI, mas não resistiu
O boletim de ocorrência relata, com base nas informações apresentadas pelo esposo, que Lúcia sofreu uma parada cardíaca que durou aproximadamente dez minutos. Diante da gravidade do quadro, ela foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Birigui.
Apesar dos esforços da equipe médica, a mulher morreu na terça-feira (20).
Após o falecimento, o marido registrou a ocorrência policial para que a suspeita de falha no atendimento inicial seja investigada. O caso foi registrado como omissão de socorro qualificada pelo resultado morte.
A suspeita relatada pelo familiar ainda precisa ser apurada e não comprova, por si só, a ocorrência de negligência médica.
Prefeitura vai pedir esclarecimentos sobre o atendimento
Em nota, a Prefeitura de Birigui informou que tomou conhecimento dos relatos relacionados ao atendimento prestado à paciente e que a Secretaria Municipal de Saúde solicitará formalmente esclarecimentos à Associação de Benemerência Senhor Bom Jesus, entidade responsável pela administração do Pronto-Socorro Municipal Dr. Alceu Lot por meio de contrato de gestão com o Município.
A administração municipal informou que pedirá informações detalhadas sobre os atendimentos realizados, as avaliações médicas, os exames solicitados e realizados, as condutas adotadas e os encaminhamentos feitos durante a assistência à paciente.
Segundo a nota, as informações serão analisadas pelos setores técnicos competentes para verificar a regularidade dos procedimentos e avaliar se há necessidade de medidas administrativas ou contratuais.
A Prefeitura ressaltou que eventuais responsabilidades só poderão ser avaliadas após a apuração dos fatos, com análise técnica e imparcial das circunstâncias.
O Município também manifestou pesar pela morte de Lúcia e solidariedade aos familiares e amigos. Ao final, reafirmou o compromisso com a qualidade da assistência à saúde, a transparência e a fiscalização dos serviços públicos, respeitando o sigilo médico e a privacidade dos envolvidos.
Investigação deverá esclarecer o caso
As circunstâncias do atendimento médico e os fatos que antecederam a morte de Lúcia deverão ser apurados pelas autoridades competentes. A investigação deverá esclarecer o que aconteceu durante os atendimentos e se houve alguma irregularidade nos procedimentos adotados.
Até o momento, a possível falha médica é uma suspeita apresentada pelo marido, e não uma conclusão das autoridades.