Região
Falsa funcionária de banco engana empresário e causa prejuízo de R$ 184 mil
A vítima de 54 anos havia feito uma reestruturação societária em sua imobiliária e buscou o banco para atualizar o cadastro
Araçatuba - A bandidagem digital fez mais uma vítima na região e, desta vez, o alvo foi uma empresa que teve o caixa completamente esvaziado por falsários! Um empresário, de 54 anos, procurou a Polícia Civil de Araçatuba, no início desta semana, após descobrir que mais de R$ 184 mil foram retirados indevidamente da conta bancária de sua empresa. A vítima teria sido enganada por criminosos que se passaram por funcionários de uma instituição financeira em um golpe muito bem arquitetado.
A história começou por conta de uma movimentação interna legítima do negócio. Segundo o registro policial, o empresário havia passado recentemente por uma reestruturação societária em sua imobiliária, tornando-se o único proprietário do negócio. Para regularizar a situação cadastral da empresa, ele buscou orientações junto ao banco dias antes, sem imaginar que os dados acabariam atraindo criminosos.
Chá de cadeira por telefone e aplicativo travado
A armadilha foi armada logo em seguida. Pouco tempo depois, recebeu uma ligação de uma mulher que se identificou como funcionária da instituição financeira e afirmou que seria a nova responsável pelo atendimento da empresa. Demonstrando saber de tudo, a suposta funcionária se ofereceu para auxiliar na atualização cadastral decorrente da alteração societária.
Ganhando a confiança do homem, a golpista começou a ditar as ordens. Durante a ligação, a mulher orientou o empresário a realizar diversos procedimentos pelo aplicativo bancário. De acordo com a vítima, ela alegava que o sistema apresentava instabilidade e pedia que ele repetisse as tentativas de acesso para validar os dados.
O processo virou uma verdadeira fábrica de códigos de segurança para os ladrões. A cada procedimento, novos tokens de autenticação eram gerados. Enquanto o empresário tentava cooperar, o aplicativo, segundo o relato, aparentava estar indisponível, permanecendo em carregamento com aquela tela travada. A golpista manteve o empresário ao telefone por horas, orientando novas tentativas sob a justificativa de que o sistema do banco continuava apresentando problemas.
O susto com a verdade e o rombo no extrato
A ficha só caiu na manhã seguinte quando o teatro ruiu. Ao tentar novamente entrar em contato com a suposta funcionária e não conseguir retorno, o empresário procurou diretamente a central oficial da instituição financeira.
Foi nesse momento que o gerente verdadeiro deu o balde de água fria: o cliente foi então informado de que não havia nenhuma funcionária com o nome indicado e que também não existia qualquer solicitação relacionada à atualização cadastral nos registros do banco.
O desespero bateu forte quando ele puxou o relatório financeiro do negócio. Ao verificar o extrato da conta empresarial, o empresário constatou que, justamente durante o período em que realizava os procedimentos orientados pela golpista, foram feitas diversas transferências bancárias não autorizadas. O prejuízo total informado à polícia foi de R$ 184.737,83 desviados de uma vez só.
Investigação por estelionato na CPJ
Sem ter o que fazer para reaver o dinheiro imediatamente, o empresário foi até a delegacia de plantão para documentar o roubo virtual. O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Araçatuba como estelionato e será investigado pela Polícia Civil, que deverá apurar a identidade dos responsáveis pelo golpe e o destino dos valores transferidos pelas contas laranjas.