Birigui
Ex-interventora da Santa Casa diz que conhecia recomendação do MP e atribui saída a questões políticas
Ex-interventora confirma à CEI que conhecia recomendação do MP e atribui saída da Santa Casa a questões políticas
Birigui - A Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Birigui ouviu nesta quarta-feira (10) a ex-interventora da Santa Casa, Sirlei de Paula, durante mais uma etapa das investigações que apuram possíveis irregularidades em contratos firmados pelo hospital durante o período de intervenção municipal.
Durante o depoimento, que durou mais de uma hora, Sirlei respondeu perguntas sobre contratações, decisões administrativas e sua saída do comando da intervenção. Segundo ela, todas as medidas adotadas durante sua gestão eram de conhecimento do então secretário de Saúde, Roque Haroldo Bonfim, da prefeita Samanta Borini e do vice-prefeito Marcelo Parizati.
Um dos principais assuntos abordados pelos vereadores foi a possível existência de conflito de interesses envolvendo profissionais que atuavam na Santa Casa e em empresas contratadas pelo hospital. Entre os casos citados estão os dos médicos Francisco Parra e Carlos Gonçalves.
Questionada sobre essas situações, a ex-interventora afirmou que não enxergava irregularidades e disse que as contratações passaram por análises técnicas e reuniões envolvendo representantes da Prefeitura e da Santa Casa.
Falta de registros
Outro ponto que chamou atenção durante a oitiva foi a informação de que parte das orientações recebidas durante a intervenção teria ocorrido de forma verbal.
Segundo Sirlei, muitas decisões jurídicas, administrativas e ligadas à área da saúde não ficaram registradas em atas ou documentos oficiais, o que dificulta a comprovação de algumas discussões realizadas no período.
Recomendação do Ministério Público
A CEI também concentrou questionamentos em uma recomendação emitida pelo Ministério Público em janeiro de 2023. O documento orientava que a Santa Casa, por estar sob intervenção municipal e administrar recursos públicos, seguisse as regras previstas na legislação de licitações e contratos.
Sirlei confirmou que tinha conhecimento da recomendação. No entanto, ao ser questionada sobre contratos analisados pela comissão que supostamente não teriam seguido essa orientação, não apresentou uma justificativa direta.
Os vereadores destacaram que a recomendação teve como base uma decisão judicial que determinava a observância das normas de licitação enquanto a entidade permanecesse sob intervenção do município.
Saída da intervenção
Ao falar sobre seu desligamento, a ex-interventora afirmou acreditar que sua saída teve motivação política. Segundo ela, foi informada do afastamento após denúncias relacionadas a possíveis desvios de recursos e à abertura de uma sindicância.
Sirlei declarou ainda que promoveu mudanças e demissões que teriam desagradado pessoas influentes ligadas à instituição.
Ela também afirmou que continua tranquila em relação às investigações e disse ter comparecido à CEI para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Próximos passos
A primeira fase dos trabalhos da CEI prevê a oitiva de cinco pessoas. Até o momento, apenas o médico Francisco Parra não compareceu ao depoimento marcado para esta quarta-feira. Segundo informações apresentadas durante a sessão, ele solicitou o adiamento da oitiva, que poderá ser remarcada para o próximo dia 15.
A comissão é formada pelos vereadores Marcos da Ripada (presidente), Tody da Unidiesel (relator) e Odair da Monza (membro) e segue investigando contratos, processos de contratação e a aplicação de recursos públicos durante a intervenção na Santa Casa.