SESSÃO DE 11 HORAS
Dupla é condenada a penas pesadas por assassinar homem a golpes de facão em Birigui
Juiz manteve Cauã Anselmo e Leonardo Porto atrás das grades após jurados rejeitarem teses de legítima defesa e clemência. Julgamento arrastado foi marcado por bate-boca no plenário.
Birigui - Foram mais de 11 horas de tensão pura no Fórum de Birigui. Em uma sessão do Tribunal do Júri que começou às 9h da manhã e só acabou às 20h20 dessa terça-feira (4), Cauã Anselmo Rosa, de 22 anos, e Leonardo Porto, de 35 anos, foram condenados pelo assassinato de Charles Ribeiro. A dupla não teve escapatória e vai puxar uma cana pesada em regime inicial fechado.
Cauã tomou uma pena de 25 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, além de 17 dias-multa. Já Leonardo se deu ainda pior por conta da reincidência e maus antecedentes: foi condenado a 29 anos, 5 meses e 23 dias de reclusão, mais 22 dias-multa.
Embate e choro no plenário
A sessão presidida pelo juiz Juliano Santos de Lima pegou fogo. O promotor Rodrigo Mazzilli Marcondes foi pra cima e defendeu a condenação integral da dupla. Já a advogada dativa Keilla Dias Takahashi tentou de tudo para livrar os réus: alegou legítima defesa, pediu desclassificação do crime patrimonial e chegou a pedir clemência aos jurados, destacando o "arrependimento" dos acusados.
O clima esquentou de vez quando a mãe da vítima, que assistia a tudo na plateia, não aguentou e se manifestou durante a fala da defesa. A advogada pediu intervenção e o juiz deu um enquadro na familiar, avisando que se ela se manifestasse de novo, seria retirada do plenário.
Sem chance de defesa e crueldade
Na sala secreta, o Conselho de Sentença rejeitou os pedidos da defesa e acatou a tese do Ministério Público. Ao ler a sentença, o magistrado negou o direito de recorrer em liberdade devido à "gravidade concreta da conduta".
O texto da sentença chocou ao destacar que Charles foi massacrado com golpes de facão quando já estava "caído e desarmado", o que configurou meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Para completar, a dupla ainda ocultou o facão e o objeto roubado durante a fuga para tentar garantir a impunidade, mas acabou se dando mal.