BRIGA POR HERANÇA
Disputa por herança antecedeu homicídio no Centro de Araçatuba
Crime que assustou a Praça Rui Barbosa foi motivado por desentendimento familiar; agente alegou legítima defesa, mas acabou preso em flagrante por homicídio qualificado.
Araçatuba - O clima pesou e o centro de Araçatuba virou palco de uma verdadeira tragédia familiar na manhã desta terça-feira (4). José Roberto Nunes, de 55 anos, foi morto a tiros em plena Praça Rui Barbosa. O autor dos disparos é um Guarda Civil Municipal de 60 anos, que estava de folga e acabou preso em flagrante por homicídio qualificado por motivo fútil. A motivação do crime? Uma briga antiga por herança.
Tudo aconteceu no meio da correria do Centro. Guardas municipais que faziam fiscalização de trânsito na praça ouviram dois pipocos de arma de fogo e o povo gritando de pavor. Ao correrem para a lateral do Banco do Brasil, encontraram o GCM (que é comandante de plantão, mas estava à paisana) em pé e sem nada nas mãos. A poucos metros dele, José Roberto estava caído no chão, gravemente ferido.
Pessoas que passavam pelo local, incluindo uma enfermeira, tentaram socorrer a vítima até a chegada do Samu, mas José Roberto não resistiu aos ferimentos. A perícia da Polícia Científica recolheu duas cápsulas deflagradas no local.
Na versão do guarda, ele vinha sendo ameaçado e disse que foi interceptado por José Roberto. O agente alegou que a vítima colocou a mão no bolso, o que ele interpretou como risco iminente, sacando sua pistola 9mm para se defender. Ele jurou em depoimento que o primeiro tiro foi de advertência e o segundo atingiu o ombro da vítima sem intenção de matar.
Porém, a Polícia Civil não engoliu a tese de legítima defesa e ratificou a prisão. A investigação revelou que os dois tinham vínculo familiar — a vítima era filho da madrasta do guarda — e que o crime foi motivado por rixa de família, sem relação com o trabalho dele na corporação.
Além do processo criminal, a Prefeitura de Araçatuba confirmou que a Corregedoria da GCM já abriu um procedimento administrativo disciplinar contra o servidor. A Polícia Civil agora analisa imagens de câmeras de segurança e aguarda laudos do IML para fechar o caso.