Birigui
Deu ruim no Santana! Investigação de tráfico vira flagrante de "golpe do e-commerce"
Suspeito admitiu informalmente a prática de estelionato eletrônico com dados falsos, mas se recusou a entregar as senhas dos celulares; materiais apreendidos passarão por perícia.
Birigui - A casa caiu para um rapaz de 26 anos na manhã desta terça-feira (30), no bairro Santana, em Birigui. O que era para ser uma batida policial atrás de entorpecentes acabou revelando um verdadeiro esquema de fraudes eletrônicas dentro de uma residência na Rua Eclair Luis Hanauer.
Os policiais civis chegaram cedo para cumprir um mandado de busca e apreensão, expedido pela Justiça porque o morador era suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas. Como ninguém atendeu ao portão, a equipe não quis saber de conversa: precisou arrombar o portão e a porta para cumprir a determinação judicial. O investigado estava em um dos quartos com a esposa e os filhos.
Na hora do pente-fino, os policiais ligaram um computador da casa. Após uma análise preliminar autorizada judicialmente, a equipe descobriu que a máquina estava recheada de arquivos e dados cadastrais de terceiros, tudo supostamente relacionado a fraudes eletrônicas.
A casa parecia um depósito de compras: foram apreendidos vários produtos novos em folha — como circulador de ar, purificador de água, aparador de grama, politriz e parafusadeiras —, todos com etiquetas de envio de grandes plataformas de comércio eletrônico em nome de terceiros. Além das mercadorias, os investigadores acharam um simulacro de arma de fogo do tipo airsoft com coldre.
Na cozinha, a polícia encontrou o que motivou a investigação inicial: duas porções de maconha (cerca de 44 gramas), um pote de vidro com maconha imersa em líquido, uma balança de precisão, máquina de cartões, R$ 60 e três celulares do suspeito.
Pego no pulo, o rapaz admitiu informalmente a prática de estelionato eletrônico, contando que simulava compras usando os dados fraudados das vítimas, mas deu uma de esperto e se recusou a fornecer as senhas dos celulares.
Já no distrito policial e acompanhado do advogado, o sujeito foi informado dos seus direitos constitucionais e preferiu não abrir a boca, optou por permanecer em silêncio durante o interrogatório formal, deixando para dar sua versão só na Justiça.
O rapaz foi liberado após o registro da ocorrência, mas não ficou limpo não: todo o material apreendido será submetido à perícia e a Polícia Civil vai continuar com as investigações para descobrir de onde vieram as mercadorias, confirmar o estelionato eletrônico e o rolo dele com o tráfico de drogas.