Gastronomia
De engraxate a lenda de Birigui: a história de sucesso do Mané Simpatia
Conhecido por seus famosos caldos e pelo tradicional Biriguizão, Mané Simpatia transformou anos de trabalho duro em um dos bares mais queridos da cidade e se tornou um verdadeiro símbolo de Birigui
Gastronomia - Passar por Birigui, no estado de São Paulo, e não visitar o Mané Simpatia seria a mesma coisa que não ir à cidade. Não há quem não conheça o seu Simpatia, que vira madrugadas no bar, batendo papo com os clientes e encantando todos com suas histórias. Mas, para chegar aonde ele está hoje foi preciso percorrer um longo caminho. Quando ainda era Manoel Marques Espedo – seu nome de batismo –, ele começou a trabalhar de engraxate, aos 13 anos. Até que, em 1964, já aos 17, decidiu se mudar para São Paulo em busca de mais oportunidades, para poder ajudar a família: “Meu pai era carroceiro, minha mãe, costureira, e a vida era muito difícil.
Não havia muitas oportunidades em Birigui. Fui com minha irmã e o namorado dela, que moravam lá, e desbravei a cidade o quanto pude”, afirma Simpatia.
Dentre jornadas de trabalho insanas, conciliava a vida pessoal. Casou-se, teve três filhos em São Paulo e, em 1970, conseguiu investir em uma frota de táxis, nunca deixando de trabalhar em garagens. “Quando eu acabava de lavar os carros, ajudava um amigo à noite no restaurante que tinha em frente ao ponto de táxi. Ele me dava comida, eu descansava um pouquinho. Ele queria vender o restaurante, pois não dava lucro, então, ele queria montar uma lanchonete comigo. Insistiu por alguns meses até que concordei, em janeiro de 1976. Mas em 1982, decidiu voltar para Birigui, onde investiu novamente em um bar.
O salão era pequeno, mas tinha mesa de sinuca. Ali começou a tradição dos caldinhos, como o de mocotó, que tinha aprendido em São Paulo, batatinhas empanadas e petiscos. “Aprendi as receitas sozinho, assistindo a programas de TV.” Os clientes começaram a pedir lanches também, porque viravam a noite jogando. “Comecei a fazer os lanches no pãobengala, para ser um diferencial na cidade, e me destacar. Lancei o biriguizão, para homenagear a cidade. Ele leva presunto, queijo, tomate, alface e maionese”, diz o empresário.
Como o ponto foi vendido, começou a construir o seu próprio bar, para onde se mudou em 1991. “Era 9 de janeiro de 1991, e lembro da rua tomada de gente para a inauguração do Mané Simpatia Tradicional. O nosso público mudou, aumentamos a cozinha, tiramos as mesas de sinuca e passamos a receber a cidade toda”, diz, relembrando.
Hoje, já em um novo ponto, do outro lado da rua, recém-reformado em 2019, com uma estrutura jamais imaginada por ele, serve os caldos, que são unanimidade, ao lado do filho Fabiano, que hoje também está à frente do negócio.
Aliás, foi com ele que surgiu o caldo de jegue, receita inscrita no Rotas Gastronômicas: “Em uma visita a São Paulo, com a família, o Fabiano provou um caldo a que chamavam caldo de jegue. A minha versão leva grão-de-bico, feijãobranco, bacon, calabresa, frango desfiado e é nosso campeão de vendas. O nome também é muito atrativo, as pessoas ficam curiosas para saber o que tem”.