Região
CRIME DIGITAL: Casos de vazamento de imagens íntimas disparam 180% no Noroeste Paulista
"Sensação de que a exposição nunca acaba", relatam as vítimas.
"Sensação de que a exposição nunca acaba", relatam as vítimas. Crescimento alarmante nos boletins de ocorrência acende o alerta para a segurança digital e a pornografia de revanche na região de Rio Preto e Araçatuba.
O ambiente digital na região noroeste do estado de São Paulo tem registrado um aumento preocupante em uma modalidade cruel de crime: o vazamento de fotos e vídeos íntimos sem consentimento. De acordo com dados recentes da Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), os registros desse tipo de crime dispararam impressionantes 180% na região desde que começaram a ser contabilizados separadamente pelas autoridades.
A estatística reflete não apenas o aumento real das ocorrências, mas também uma coragem maior por parte das vítimas em denunciar. Ainda assim, o impacto psicológico e social para quem tem a intimidade exposta continua avassalador. "É uma sensação de que a exposição nunca acaba", revelou uma das vítimas sob anonimato, descrevendo o rastro permanente que esse tipo de crime deixa na internet.
Casos de grande repercussão na região
A explosão desse crime não escolhe perfil e tem movimentado investigações complexas na região de cobertura da TV TEM (afiliada Rede Globo):
Condenação na Alta Cúpula: Recentemente, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) condenou o secretário de Saúde licenciado de São José do Rio Preto, Rubem Bottas, pelo vazamento de fotos íntimas de sua ex-mulher. O caso, que corre em segredo de Justiça e cabe recurso, acendeu o debate sobre relacionamentos abusivos e crimes cometidos após o término de relações (a chamada pornografia de revanche).
Grupos de Ódio na Internet: Em regiões vizinhas do interior, a polícia chegou a interceptar grupos com cerca de 900 integrantes criados exclusivamente para compartilhar fotos íntimas e depreciar jovens e adolescentes, usando inclusive imagens retiradas de redes sociais abertas.
O que diz a Lei?
Divulgar, compartilhar, vender ou postar fotos e vídeos de conteúdo sexual ou pornográfico sem o consentimento da vítima é crime previsto no Artigo 218-C do Código Penal brasileiro. A pena varia de 1 a 5 anos de reclusão, podendo ser aumentada se o crime for praticado por agentes com relação de afeto (ex-parceiros) ou para fins de vingança e humilhação.
Como se proteger e denunciar?
Especialistas e delegados da região reforçam que, caso ocorra o vazamento ou ameaça:
Não apague as provas: Tire prints de todas as conversas, links, fotos compartilhadas e perfis dos suspeitos.
Registre um Boletim de Ocorrência: Procure a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) mais próxima ou faça o registro de forma online no portal da Polícia Civil.
Ata Notarial: Se possível, registre os prints em um cartório (ata notarial) para conferir validade jurídica incontestável às provas.
Atenção às redes: Delegados recomendam manter perfis de redes sociais trancados ou restritos apenas a amigos conhecidos, evitando o roubo de fotos cotidianas para montagens maliciosas.