Análise
Corinthians cai em casa com requintes de crueldade e acumula mais um trauma na Libertadores
Derrota para o Estudiantes diante de 47 mil fiéis na Fiel Arena escancara setor ofensivo nulo e deixa elenco de peso só com o Brasileirão para fechar o ano.
São Paulo - A eliminação do Corinthians na Conmebol Libertadores vai martelar na cabeça do torcedor por um bom tempo. A derrota para o Estudiantes diante de mais de 47 mil pessoas na Neo Química Arena, sacramentada no pênalti perdido por Memphis Depay nos acréscimos do segundo tempo, escreveu com requintes de crueldade mais um capítulo traumático na história do clube do Parque São Jorge no torneio.
Campeão em 2012, o Timão reeditou o pesadelo de outros confrontos eliminatórios que viraram marca registrada da sua sina na competição continental: o Palmeiras em 99 e 2000, o River Plate em 2003 e 2006, o Guaraní-PAR em 2015 e 2020, e a trágica queda para o Tolima em 2010. Desta vez, do mesmo jeito de sempre, o time entrou como favorito absoluto, teve a atmosfera a seu favor, mas tremeu diante de seus próprios fantasmas.
Ataque nulo e elenco de peso devendo
Dentro de campo, nem o fato de ter os titulares descansados salvou a exibição. O time do técnico apresentou um futebol pouquíssimo criativo e praticamente nulo no sistema ofensivo.
Por mais que o torcedor pense que a vaga na disputa de pênaltis escapou nos pés do holandês no lance decisivo do fim do jogo, a verdade é que o Corinthians praticamente não ameaçou o goleiro adversário durante os 90 minutos.
A única esperança de classificação veio no desespero, em um erro bobo da zaga argentina. É vergonhosamente pouco para um clube com uma das maiores folhas do futebol brasileiro e que ostenta peças de peso como Memphis Depay, Rodrigo Garro e André Carrillo.
Fase terrível no Parque São Jorge
O estalo do sistema ofensivo formado por Kaio César, Garro e Memphis acendeu o sinal de alerta faz tempo: as peças não têm encaixado no setor de criação, e a conta dessa conta zerada chegou na hora certa para o desastre.
O resultado desse apagão são cinco derrotas seguidas no Brasileirão, eliminação amarga no mata-mata da Copa do Brasil e o adeus dramático na Libertadores.
Agora, sem mais nenhuma copa para disputar na temporada, a ordem na fase final do ano é tentar resgatar a credibilidade no Campeonato Brasileiro para evitar um vexame maior e esperar a virada do ano por um novo reinício.