Esportes
Comitiva do Corinthians e chefões da Gaviões viajam para fechar acordo da Arena com a Caixa
O presidente Osmar Stabile e líderes da organizada, como Alê e Fantasma, tentam liquidar o nó da dívida de R$ 640 milhões
São Paulo - Se você é corinthiano roxo de Birigui ou Araçatuba e não aguenta mais ver o caixa do Timão sangrando com boletos e juros pesados por causa do estádio, segure a ansiedade porque a diretoria alvinegra e os líderes das arquibancadas montaram uma força-tarefa de peso e foram direto para a capital federal tentar bater o martelo e limpar o nome do clube no banco!
Uma comitiva do Corinthians viajou a Brasília nesta sexta-feira com a expectativa de fechar ou, ao menos, encaminhar um acordo com a Caixa Econômica Federal para a quitação da dívida relacionada ao financiamento da Neo Química Arena. E o bando de loucos foi junto: além de dirigentes do clube, o grupo conta com representantes da Gaviões da Fiel, principal torcida organizada alvinegra.
A presença da torcida no voo não é só para fazer barulho, mas faz parte da engenharia burocrática e social do projeto. Entre os integrantes da organizada estão o presidente Alexandre Domênico Pereira, conhecido como Alê, e os vice-presidentes Fábio Câmara, o Fantasma, e Serginho. A participação da Gaviões está ligada à proposta de promover ações sociais que devem integrar o acordo envolvendo o estádio, ajudando a amaciar o coração do banco público.
Toda essa correria de bastidores já vinha sendo tocada de forma silenciosa pela alta cúpula. A movimentação dá sequência às negociações conduzidas pelo presidente Osmar Stabile. O mistério da sumiço do patrão foi revelado no balcão de coletivas no meio da semana: na última quarta-feira, durante a apresentação do técnico Clarence Seedorf no CT Dr. Joaquim Grava, o executivo de futebol Marcelo Paz revelou que o mandatário não estava presente justamente porque se encontrava em Brasília para tratar do assunto com a Caixa.
Naming rights de R$ 70 milhões por ano são o grande trunfo no balcão
O tamanho do buraco financeiro que o Corinthians tenta sanar na mesa de negociações é assustador. O Corinthians vinha discutindo com a Caixa alternativas para reduzir o valor devido, que atualmente se encontra na casa dos R$ 640 milhões e estabelecer uma nova estrutura de pagamento, tentando esticar o prazo das parcelas sem sufocar os cofres do Parque São Jorge.
Para convencer a gerência da Caixa a assinar a papelada, o Timão colocou sua joia da coroa na mesa. A principal possibilidade envolve a negociação dos naming rights da Neo Química Arena. Um pente-fino de mercado encomendado pelos dirigentes jogou o preço lá no alto: um estudo contratado pelo clube avaliou os direitos de nome do estádio em aproximadamente R$ 70 milhões por temporada. Vale lembrar que esse valor é uma estimativa de mercado, e não uma proposta recebida pelo Corinthians, ou seja, é o preço de balcão para chamar novos patrocinadores.
O plano de pagamento desenhado é inteligente: entre os cenários discutidos estava a utilização de um eventual contrato de naming rights como garantia para a Caixa, com a receita direcionada ao pagamento da dívida durante determinado período. Com essa grana carimbada direto para o banco, o Corinthians conseguiria um alívio imediato no caixa do dia a dia, pois a operação permitiria liberar outras receitas da Arena atualmente comprometidas com o financiamento, como a grana das bilheterias e dos camarotes.
Estádio 100% quitado? Sem chance de milagre por enquanto
Apesar do otimismo da Fiel nas redes sociais após os últimos relatórios contábeis, a realidade fria dos números é outra. Já a possibilidade de a Neo Química Arena estar totalmente quitada não é considerada pelas partes. Essa ilusão de balcão ganhou força recentemente após um novo levantamento sobre os cálculos da dívida, realizado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco, mas não foi abordada nas reuniões em Brasília, focando apenas no plano real de desconto e transição. Pé no chão e caneta na mão!