Araçatuba
Celulares escondidos e salário de R$ 13 mil: Veja os detalhes da operação contra o vereador Damião Brito por suposta "rachadinha"
Polícia Civil cumpre mandados na Câmara e na residência do político após denúncia de ex-chefe de gabinete que descobriu salário de R$ 13 mil; Corregedoria já havia arquivado o caso
Araçatuba - O bicho pegou para o vereador Damião Brito (Rede) na tarde desta terça-feira (30). A Polícia Civil de Araçatuba deu um pulo na casa dele e também no seu gabinete na Câmara para cumprir mandados de busca e apreensão. A ação aconteceu por causa de denúncias pesadas de dois ex-assessores parlamentares que acusam o político da chamada "rachadinha" — que é aquela divisão forçada do salário dos assessores com o próprio chefe.
No final da tarde, o Delegado da Polícia Civil, Dr. Getúlio Nardo, abriu o jogo e contou que a polícia apreendeu três celulares (um deles sendo da esposa do vereador) e um notebook. E parece que o clima foi tenso: segundo informações, o vereador teria apresentado resistência à atuação policial, tentando esconder os aparelhos e se recusando a passar as senhas para os agentes.
O delegado explicou que a investigação começou há uns sete ou oito meses e que esses eletrônicos vão direto para o inquérito policial em busca de provas novas. Damião estava em casa na hora que os policiais chegaram, prestou depoimento e foi liberado, mas o caso ainda vai passar por outras diligências antes de ser remetido para o fórum local.
Entenda o caso: "Pensei que ia ganhar R$ 2.500, mas caiu R$ 13 mil"
A bronca estourou em outubro do ano passado, quando uma ex-assessora registrou um boletim de ocorrência e disse que chegou a "temer pela própria vida".
Ela contou à polícia que aceitou o cargo de chefe de gabinete achando que ganharia R$ 2.500 por mês. A surpresa veio no banco: a gerente avisou que ela precisava agendar o saque porque o valor na conta era alto demais para retirar na hora. Quando a mulher descobriu que o salário real era de R$ 13 mil, foi tirar satisfação com Damião.
Segundo o documento policial, o vereador mandou a real: disse que mesmo se o salário fosse de R$ 50 mil, o dinheiro era dele. A regra imposta era clara: ela ficava com R$ 2 mil mais o ticket, e o resto ia para o bolso dele. A ex-assessora diz que aceitou por medo, já que o vereador costumava deixar uma arma de fogo em cima da mesa do gabinete para intimidar todo mundo. Ela acabou adoecendo e, logo depois, foi exonerada (demitida) por não aceitar o esquema.
Câmara limpou a barra do vereador
Enquanto a Polícia Civil continua investigando sem um prazo final definido, na política o cenário foi bem diferente. Em novembro do ano passado, os vereadores votaram e, por unanimidade, rejeitaram a denúncia contra Damião dentro da Câmara.
Já em fevereiro deste ano, a Corregedoria da Câmara arquivou a denúncia de vez, alegando que a acusação foi feita de forma informal e que faltavam provas como extratos bancários, áudios ou vídeos.
Até o momento da publicação desta matéria, o vereador Damião Brito não se manifestou publicamente sobre a operação da Polícia Civil. O espaço no Pô News segue aberto.
📌 Resumão do que foi levado:
Apreensões: 3 celulares (incluindo o da esposa do vereador) e 1 notebook.
Clima tenso: Polícia relatou que o parlamentar resistiu e não quis dar as senhas dos aparelhos.
Próximos passos: Os objetos vão para perícia e a investigação continua correndo na Polícia Civil.