Justiça
Caso da creche: Ministério Público arquiva investigação civil contra professora acusada de tortura em Birigui
Promotoria arquivou ação cível após professora ser absolvida por comissão da prefeitura, mas polícia ainda aponta indícios de maus-tratos contra crianças.
Birigui - A Promotoria de Justiça de Birigui decidiu fechar e mandar para o arquivo o inquérito civil que investigava uma professora de creche. Ela tinha sido acusada de cometer o crime de tortura contra pelo menos quatro crianças (de 4 e 5 anos) no primeiro semestre do ano passado.
Relembre o caso
A bronca estourou em julho de 2025. Na época, a Justiça atendeu a um pedido da Polícia Civil e afastou a professora do trabalho. A denúncia que chegou até os policiais era pesada: dizia que ela castigava as crianças que choravam ou davam trabalho colocando-as debaixo do chuveiro gelado e deixando-as com a roupa molhada na sala. Teve até relato de que ela mirava o "chuveirinho" no rosto, nariz e orelhas dos pequenos.
O que disse a polícia?
O delegado Ícaro Oliveira Borges terminou o inquérito policial na última terça-feira (30) e mandou o relatório para o juiz. Ele entendeu que não ficou configurado o crime de tortura, porque para isso precisa ter o chamado dolo específico — ou seja, a intenção clara de causar um baita sofrimento físico ou mental.
Como as opiniões das testemunhas ficaram divididas (algumas acusavam e outras defendiam o trabalho dela) e não tinha nenhum laudo pericial de corpo de delito provando as agressões, o delegado descartou a tortura. Porém, ele achou que a história está muito esquisita e que existem indícios de maus-tratos. Agora, cabe ao Ministério Público decidir se bota um processo criminal contra ela por isso ou se arquiva também essa parte.
Absolvição na prefeitura e motivos do arquivamento
O inquérito civil existia justamente para acompanhar a Sindicância Averiguatória aberta pela prefeitura. Acontece que a Comissão Permanente de Ética e Disciplina do Município terminou a investigação interna e decidiu pela absolvição da professora na esfera administrativa porque achou que faltavam provas.
Como ela foi absolvida pela prefeitura e não apareceram novas provas na parte cível, o Ministério Público achou melhor fazer o arquivamento: O MP explicou que a investigação "não pode durar para sempre" esperando aparecer provas do nada. O caso agora vai para o Conselho Superior do Ministério Público para bater o martelo final sobre o fim dessa ação civil.
Banhos de castigo e o passado da professora
Apesar de a tortura ter caído, o relatório policial trouxe detalhes polêmicos sobre os supostos maus-tratos:
Testemunhas disseram que viram crianças "ensopadas e aterrorizadas".
O Livro de Ocorrências da escola mostrou que a professora já tinha um histórico esquentado em 2009 e 2010, com registros de gritos com colegas, batidas de porta e discussões com pais.
Relatórios de psicólogas apontaram que as crianças confirmaram o banho forçado e que a acusada tentava dar "recompensas" para elas não contarem nada em casa.
Houve também uma suspeita de que a denúncia no "Disque 100" pudesse ser uma armação ou vingança política para tentar segurar a ex-diretora no cargo. O delegado até pediu a quebra de sigilo das denúncias, mas o juiz da Vara Regional das Garantias de Araçatuba negou.
O que diz a defesa?
O advogado da professora, Elber Carvalho de Souza, soltou o verbo e disse que sua cliente foi vítima de uma "grande maldade". Em nota, ele afirmou que as acusações eram graves e caluniosas.
O defensor elogiou o trabalho sério da polícia e disse que, ao longo do caso, ficou provado que usaram o disque-denúncia de forma maldosa para queimar a professora. Ele desabafou dizendo que, embora a justiça esteja sendo feita agora, o sofrimento e a humilhação que ela passou ao ser julgada pela internet jamais serão esquecidos, defendendo que a presunção de inocência deve sempre valer.