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Carro zero por R$ 13 mil em 2002: A realidade automotiva do penta
Descubra como era o mercado de veículos e combustíveis quando o Brasil conquistou sua última Copa do Mundo, um cenário bem diferente de hoje.
O ano de 2002 marcou o último pentacampeonato mundial do Brasil, mas também um cenário automotivo que hoje soa como outra realidade. Naquela época, carros zero-quilômetro e combustíveis tinham preços que parecem inacreditáveis para os padrões atuais. O mercado de veículos era dominado por modelos nacionais e a tecnologia era bem mais simples.
Um dos exemplos mais claros era o Fiat Uno Mille três portas a álcool, o carro mais barato do país em julho de 2002. Ele custava apenas R$ 13.577, valor que, corrigido pelo IPCA, equivaleria a R$ 55.589 hoje. A renda média do brasileiro era de R$ 636, ou R$ 2.604 em valores atuais, segundo o IBGE.
O Uno Mille oferecia poucos itens de série, como vidros verdes e cintos de três pontos. Opcionais como ar-condicionado custavam quase 18% do valor do carro, uma fortuna na época. Além disso, os postos ainda vendiam “álcool”, e a padronização para “etanol” só viria em 2010, após discussões sobre a campanha da Lei Seca e a necessidade de alinhamento internacional.
“A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, afirmou Haroldo Lima, presidente da ANP na época, sobre a mudança de nomenclatura.
Os preços dos combustíveis também eram muito diferentes: a gasolina custava R$ 1,77 o litro, o etanol R$ 0,94 e o diesel R$ 1,07, conforme dados da ANP. Curiosamente, os carros flex ainda não existiam; o primeiro modelo, o Volkswagen Gol, seria lançado apenas em 2003. O Gol, aliás, foi o líder de vendas em 2002, com 208,3 mil unidades.
O segmento de SUVs era praticamente irrelevante no Brasil em 2002, com a oferta limitada a grandes utilitários ou derivados de picapes. O Mitsubishi Pajero era o importado mais vendido, com 4.028 unidades. A virada começou no Salão do Automóvel daquele ano, com a apresentação do primeiro Ford Ecosport, que chegou às lojas em 2003 e inaugurou os SUVs acessíveis.
Hoje, o mercado cresceu exponencialmente. Em 2002, os brasileiros compraram cerca de 1,4 milhão de automóveis; em 2025, o mercado nacional registrou mais de 2,5 milhões de emplacamentos. A frota circulante saltou de 18,4 milhões de veículos em 2002 para mais de 40,3 milhões em 2024, refletindo uma transformação gigantesca.
Com informações de Autoesporte (G1).