DESVALORIZAÇÃO
Carro elétrico ou a combustão: quem perde mais dinheiro na hora da revenda?
Levantamento do banco BV revela que elétricos lançados em 2022 perderam até 49,3% do valor.
Brasil - Se você está pensando em colocar um carro elétrico na garagem, é bom colocar a calculadora para funcionar! A desvalorização dos carros elétricos usados virou o principal ponto de atenção para os motoristas no Brasil. Dados do mercado revelam que, embora a perda de valor dos elétricos seja maior na média, alguns modelos mais novos já estão rodando de igual para igual com os tradicionais veículos a combustão.
Um levantamento do IBV Auto (índice do banco BV que acompanha a variação dos preços de veículos leves usados) divulgado em junho de 2026 acendeu o alerta: os elétricos lançados recentemente perderam bem mais valor do que os equivalentes movidos a gasolina, etanol ou diesel.
Para os carros lançados em 2022, a desvalorização média dos elétricos bateu incríveis 49,3%, enquanto os modelos a combustão perderam apenas 13,4%. A diferença pesada continuou nos modelos de 2023: 45,6% de perda entre elétricos, contra 20% entre os a combustão.
Segundo a análise do banco BV, essa "queima" no preço acontece porque os carros novos ficaram mais baratos com o aumento da concorrência entre fabricantes, o que acabou pressionando o valor dos seminovos elétricos que tinham sido comprados antes dos descontos.
Modelos mais baratos vendem mais rápido
Nem tudo é notícia ruim para os elétricos. Indicadores de liquidez — ou seja, a facilidade de passar o carro para a frente — mostram que alguns modelos já vendem feito água. Uma pesquisa da consultoria Indicata, divulgada pela Autoesporte, revelou que os veículos elétricos a bateria (BEV) registraram o menor Market Day Supply (MDS) do mercado em janeiro.
Esse tal de MDS mede a relação entre estoque disponível e volume de vendas; quanto menor o número, mais rápido o carro sai da loja. Em janeiro de 2026, os elétricos marcaram MDS de 47, superando a velocidade de giro dos modelos flex (53) e dos híbridos plenos (54).
Mas vale o aviso: essa pressa para comprar se concentrou nos modelos de entrada, como o BYD Dolphin e o BYD Dolphin Mini. Já os elétricos mais caros e de luxo ainda enfrentam um caminho mais arrastado na hora de achar um novo dono.