Trabalho!
Brasil tem 2 milhões de trabalhadores plataformizados e mais da metade roda em app de transporte
Pesquisa do IBGE mostra que motoristas lideram o setor.
São Paulo - O Brasil fechou 2025 com cerca de 2 milhões de pessoas tirando o sustento por meio de aplicativos e plataformas digitais de serviços. E a maioria esmagadora dessa turma tá no volante: 1 milhão e 200 mil atuavam no transporte de passageiros, o que representa quase 59% de todos os trabalhadores plataformizados do país, segundo um levantamento recém-divulgado pelo IBGE.
Os dados escancaram que os motoristas de aplicativo formam o grupo principal entre quem usa a tecnologia para obter renda. Logo atrás vêm os motoboys e entregadores de serviços de entrega, que somavam 585 mil pessoas no ano passado, e o pessoal da prestação de serviços gerais ou profissionais, faturando via app com 313 mil trabalhadores.
A radiografia do IBGE também mostra que o corre dos aplicativos continua sendo predominantemente masculino: os homens são praticamente 85% desse universo, enquanto as mulheres representam pouco mais de 15%. A maioria esmagadora da moçada está na faixa etária de 25 a 39 anos de idade.
Na ponta do lápis: renda, jornada pesada e falta de INSS
Quando o assunto é bolso, os trabalhadores de plataformas ganharam, em média, três mil cento e quarenta e sete reais por mês no ano passado — um valor bem parecido com o de quem trabalha no setor privado tradicional.
Porém, para ver esse dinheiro entrar, o esforço é maior: a jornada média de trabalho bateu 44 horas e 42 minutos por semana, quase cinco horas a mais do que a média dos trabalhadores não plataformizados.
O levantamento ligou o sinal de alerta para a baixa cobertura previdenciária. Só 34% dos trabalhadores de aplicativos pagavam e contribuíam para a Previdência Social em 2025. Entre os motoristas de automóveis que atuam por plataformas, a situação é ainda mais apertada, com só 25,5% protegidos pelo INSS.
No fim das contas, a principal razão apontada para entrar nessa vida foi a flexibilidade de horários, citada por quase 27 de cada 100 entrevistados. Já quase 25% — ou seja, um em cada quatro — confessaram que foram parar nas plataformas por puro aperto, após não conseguir encontrar outro trabalho no mercado.