Região
Bate-boca e tribunal: Médico e vereadora se enfrentam na Justiça após confusão em posto de saúde de Aracanguá
Acusada de desacato e de exigir carimbo em guias do SUS, presidente da Câmara nega irregularidades, entra com contra-processo e briga por indenização na Justiça
Aracanguá - O que começou como uma discussão no ambiente de trabalho virou caso de Justiça e foi parar na 3ª Vara Criminal de Araçatuba. A auxiliar de enfermagem e presidente da Câmara de Santo Antônio do Aracanguá, Marli Pacheco Bezerra (PDT), a "Marli do Lelo", foi denunciada pelo Ministério Público pelo crime de desacato contra funcionário público no exercício das funções.
O autor das acusações é o médico Glenn Wood da Silva (ex-secretário de Saúde de Araçatuba), que presta plantão na unidade de saúde da cidade vizinha.
Exames em branco e xingamentos
Segundo o boletim de ocorrência registrado pelo médico, as brigas aconteceram em duas ocasiões. Na primeira, a vereadora teria entrado no consultório exigindo que ele carimbasse e assinasse "um maço" de guias de exames em branco. Diante da recusa — sob o argumento de que as guias são controladas pelo SUS (Sistema Único de Saúde) —, ela o teria chamado de "velho" e "bobo".
No segundo episódio, a auxiliar teria voltado com guias preenchidas em nome de pessoas que nem passaram por consulta. Ao negar o carimbo novamente para evitar o uso indevido, o médico alega ter sido xingado de "tonto", "velho ridículo" e "velho patético", ofensas que teriam sido ouvidas por testemunhas e pacientes.
Rejeição de acordo e briga na Justiça
A defesa de Marli alegou que tudo não passou de uma discussão profissional entre servidores públicos, pedindo o arquivamento. Contudo, o Promotor considerou que o caso exige provas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. A parlamentar recusou uma proposta de transação penal e, agora, o processo avançou, com uma audiência marcada para propor a suspensão condicional do processo.
O outro lado: "A verdade prevalecerá"
Em nota, Marli do Lelo afirmou que o episódio foi um desentendimento no ambiente de trabalho entre dois funcionários e que não tem qualquer relação com o seu cargo de presidente da Câmara. Ela destacou que a situação é complexa e envolve acusações mútuas:
Ação Criminal: Ressaltou que em outro processo na 2ª Vara Criminal, o próprio MP pediu arquivamento por entender que foi um "descontrole emocional pontual".
Queixa-crime: Entrou com ação contra o médico por injúria e difamação.
Indenização por danos morais: O médico pede indenização na esfera cível, mas ela apresentou uma reconvenção para que ele também seja condenado a pagá-la.
"Tenho a consciência tranquila e confio que a verdade prevalecerá e minha inocência será comprovada", finalizou a vereadora.