Birigui
B.O. em Birigui: Polícia Civil apreende materiais vencidos que a Prefeitura mandou para projetos de crianças
Polícia deu um 'baque' em quatro locais após denúncia de vereador que flagrou até massinha de modelar podre; delegados investigam uso de dinheiro público.
Birigui - O bicho pegou na administração municipal de Birigui nesta quarta-feira (1º). A Polícia Civil vai abrir uma investigação pesada para descobrir por que a Prefeitura distribuiu material escolar e produtos de limpeza com a validade vencida para entidades que cuidam de crianças e adolescentes na cidade.
Os policiais deram um "baque" em pelo menos quatro locais e recolheram um monte de coisa irregular.
Vídeo de massinha estragada e denúncia anônima
Tudo começou depois de uma denúncia anônima. O vereador José Fermino Grosso (PP) acionou a Guarda Municipal e foi direto no CAC (Centro de Atendimento à Criança), lá na Vila Bandeirantes. Chegando no depósito, a surpresa: tinha muita canetinha, cola, tinta guache, álcool em gel e produto de limpeza vencidos.
O vereador chegou a gravar um vídeo abrindo caixas de massinha de modelar que iam ser entregues para a garotada. O material estava todo podre, sem condição nenhuma de uso. O pior é que a informação que roda é que as crianças de 6 a 15 anos vinham usando esses materiais vencidos nas atividades do dia a dia.
Depois que o angu entornou, o vereador Marcos da Ripada (UB) também colou no local e chamou a Polícia Civil, que mandou a perícia direto para lá.
De onde veio o material?
O pessoal do Conselho Tutelar acompanhou a vistoria e descobriu que quem abastece o CAC com esses materiais é o Cras (Centro de Referência de Assistência Social) do bairro Thereza Barbieri.
A polícia tentou falar com a coordenadora responsável, mas ela está afastada. Uma funcionária do CAC acompanhou os policiais e tudo que estava vencido foi levado direto para a delegacia. A Guarda e o vereador Fermino também foram até o Cras do Thereza Barbieri, mas a auxiliar de assistente social que estava lá preferiu ficar de bico fechado e não quis dar declarações. Lá também acharam colas vencidas.
Comida azeda? Calma aí!
Como o CAC fica na área do 1º Distrito Policial, o delegado Dr. Nilton Aparecido Marinho foi pessoalmente resolver a parada. Ele fez questão de acalmar o povo e deixar claro que não foi encontrado nenhum alimento vencido destinado às crianças nessas primeiras unidades.
O Dr. Nilton explicou que os materiais escolares e de limpeza apreendidos vão passar por perícia para ver se podiam fazer mal à saúde dos alunos e dos funcionários.
O buraco pode ser mais embaixo: vai ser aberto um inquérito por crime contra as relações de consumo (com base na Lei 8.137/90, que cuida da Ordem Tributária, Econômica e de Consumo). Quem for culpado por entregar mercadoria imprópria para o consumo pode pegar de 2 a 5 anos de cadeia. A polícia vai puxar os contratos de compra para saber se a Prefeitura já comprou esses materiais vencidos ou se eles estragaram no estoque, já que tudo foi pago com dinheiro público.
Mais vistorias no Rotary e no Quemil
A nossa reportagem também acompanhou a fiscalização no Centro Educacional Rotary, na Avenida João Cernach. Lá os policiais acharam cola, tinta guache e canetinhas vencidas, além de alimentos como milho de pipoca, farinha e óleo de soja fora do prazo.
Só que aí os funcionários explicaram uma coisa: esses alimentos vencidos não eram para a merenda das crianças. Eles eram usados como "insumo pedagógico lúdico" — ou seja, os professores usavam a farinha e o óleo velhos para fazer massinha de modelar caseira com os alunos. A comida da merenda estava toda no prazo certinho. Porém, em um armário escondido, acharam inseticidas, desinfetantes e sabonete líquido vencidos.
Como o Rotary fica em outra quebrada da cidade, quem assumiu o caso foi o delegado Dr. Eduardo Lima de Paula, da Delegacia do Município. Ele mandou recolher tudo pro plantão policial, mas avisou que o atendimento às crianças não foi interrompido.
Para fechar o pente-fino, a Polícia Civil ainda deu uma passada no Cras do bairro Quemil, onde os vereadores encontraram mais produtos de limpeza e até máscaras de proteção facial vencidas.