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Avião que caiu no Rio Tietê, em 2024, usava peças de carro e fita isolante na fiação, aponta Cenipa
O relatório do acidente em Pereira Barreto foi divulgado nesta quinta-feira (15) pela FAB
Brasil - Quando a gente pensa em aviação, a primeira coisa que vem à cabeça é segurança máxima e checagem rígida de balcão, mas uma investigação assustadora revelou que a falta de juízo e o migué na manutenção mecânica transformaram um voo de lazer em uma armadilha mortal na nossa região!
Uma queda de avião no interior de São Paulo, que deixou um piloto morto e um passageiro gravemente ferido, teve as circunstâncias detalhadas em um relatório divulgado nesta quinta-feira (15). A devassa feita pelos técnicos identificou uma série de irregularidades na operação e na manutenção da aeronave.
O desastre aéreo aconteceu em fevereiro de 2024, no Rio Tietê, na comarca de Pereira Barreto. O que os investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) encontraram nos destroços submersos deixou o plantão da aviação de queixo caído: entre os problemas apontados estão o uso de componentes de veículos terrestres e procedimentos de manutenção que chamaram a atenção dos investigadores.
Peças de carro, fita isolante e mecânico de moto no comando
O avião experimental parecia ter sido consertado no fundo de uma oficina de quintal, longe de qualquer monitoramento oficial de engenharia aeronáutica. De acordo com o relatório do Cenipa, a aeronave apresentava componentes que não eram próprios da aviação, incluindo filtros de combustível e do radiador de óleo, além de mangueiras comuns e fita isolante na fiação elétrica!
Para piorar o bafafá técnico de balcão, a pessoa que mexia no motor não tinha autorização da ANAC para isso. O documento também apontou que o próprio piloto, Rosivaldo Mendes da Silva, que era dono de uma oficina de motocicletas, realizava a manutenção do avião.
Além das gambiarras físicas, a papelada do comandante estava totalmente travada. Outro problema identificado foi a documentação do piloto. Segundo o relatório, Rosivaldo tinha licença para operar aeronaves terrestres, mas não possuía habilitação para voar com aeronaves anfíbias (que pousam na água). Como se não bastasse, ele também teria operado por mais de dez anos com o certificado fora da validade, regularizando a licença apenas em 2023.
Voo noturno proibido para ver o "pôr do sol"
A tragédia ocorreu após uma sucessão de erros e desrespeito às leis de tráfego aéreo. A investigação identificou ainda uma irregularidade relacionada ao horário do voo. A decolagem ocorreu às 21h50, durante o período noturno, embora as regras aplicáveis à aeronave experimental restringissem as operações ao período diurno.
O acidente aconteceu em 25 de fevereiro de 2024, após a decolagem da aeronave do Aeródromo Fazenda São Joaquim, em Pereira Barreto. O voo tinha como objetivo observar o pôr do sol, mas eles atrasaram e saíram no breu da noite. Cerca de dez minutos depois, o avião inclinou-se repentinamente para a esquerda, perdeu sustentação e caiu no rio, ficando submerso. O passageiro conseguiu se salvar em meio ao desespero, mas Rosivaldo, que tinha 38 anos na época, morreu afogado.
Veredito da FAB: Descumprimento de normas
A papelada oficial da Força Aérea Brasileira carimbou a imprudência. A conclusão do Cenipa foi de que a falta de atenção às normas e aos regulamentos contribuiu para o acidente.
Por outro lado, por conta do estrago físico e do tempo debaixo d'água, alguns detalhes viraram mistério: já as possíveis influências da manutenção e da aplicação dos comandos foram classificadas como indeterminadas, devido à degradação da estrutura e à perda de documentos no naufrágio. O relatório foi divulgado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e detalha as irregularidades, deixando um alerta definitivo para que nenhum piloto brinque com a vida nas alturas!