Brasil
Avanço da direita nas urnas trava votação do fim da escala 6x1 no Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manteve o calendário de discussão da PEC nesta terça (6), quarta (7) e quinta (8)
Brasília - A disputa pelo fim da escala 6x1 ganhou um balde de água fria direto das urnas eletrônicas e a conta para aprovar a mudança não fecha mais a favor do governo! O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), manteve o calendário de discussão em plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6x1. O plano prevê três sessões semipresenciais, com a primeira nesta terça-feira (6) e as outras duas na quarta (7) e na quinta-feira (8).
Só que o clima no Congresso Nacional mudou completamente após o resultado do final de semana. Na avaliação de líderes do governo ouvidos pelo g1, no entanto, o avanço dos candidatos de direita no Senado nas eleições de domingo (4) inviabiliza as chances de votação da PEC na Casa.
A estratégia de pautar o projeto foi por água abaixo. O anúncio na última sexta-feira (2), antevéspera do primeiro turno das eleições, foi tratado como um gesto de Davi Alcolumbre (União-AP) ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), já que o fim da escala 6x1 é considerada uma das prioridades do governo no Congresso Nacional. Vale lembrar que o texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no fim de maio, mas agora empacou no Senado.
Articulação da oposição: Operação "Esvazia Plenário"
Os partidos de oposição já montaram a estratégia para enterrar a proposta sem precisar bater boca. Lideranças da oposição no Senado articulam para não marcar presença nas sessões de discussão da PEC. E, para que, sem quórum, o fim da 6x1 não seja votado.
O regulamento da Casa joga a favor de quem quer adiar a decisão. De acordo com o regimento interno do Senado, a proposta precisa passar por cinco sessões de discussão em plenário antes de ser votada em primeiro turno. Depois que passa por essa fase, após a primeira votação, são necessárias três novas sessões de discussão antes da deliberação em segundo turno.
Para andar logo com o projeto, para acelerar a votação, os senadores precisariam aprovar, por maioria simples, um calendário especial, o que, diante do movimento da oposição, torna ainda mais difícil a votação nesta semana.
O Impacto das eleições e a força de Flávio Bolsonaro
A onda de votos da oposição mudou as forças políticas em Brasília. Em uma disputa acirrada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos contra 45,16% do petista na corrida presidencial de primeiro turno.
Essa força se refletiu diretamente no legislativo: no Senado, o PL, partido de Flávio, elegeu 19 senadores e terá uma bancada de 28 senadores a partir de 2027.
Essa guinada à direita também azedou os planos políticos internos da Casa. A votação de candidatos do PL enfraquece Davi Alcolumbre na disputa pela reeleição ao comando da Casa em 2027. Em entrevista à GloboNews, o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, confirmou que Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, é candidato à presidência do Senado, criando uma barreira gigante para o governo.
A matemática agora ficou quase impossível para os governistas: para ser aprovada, uma PEC precisa ter ao menos três quintos dos votos favoráveis nas duas votações. Ou seja, precisa contar com o apoio de 49 senadores — um número que a oposição promete bloquear com facilidade.