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Argentina perde mais de 32 mil empregadores desde que Milei assumiu a Presidência
País registra 18 meses consecutivos de queda no número de empregadores, em meio ao consumo fraco, custos elevados e maior concorrência de produtos importados.
Argentina - A economia da Argentina enfrenta dificuldades desde que Javier Milei assumiu a Presidência, no fim de 2023. Desde então, o país passou a ter 32.290 empregadores a menos, segundo dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão do governo argentino.
O número de empregadores cadastrados caiu de 512.357, em novembro de 2023, para 480.067, em julho de 2026. A redução representa uma queda de 6,3% e marca o 18º mês consecutivo de recuo.
Apesar dos números, é importante destacar que a saída do cadastro não significa necessariamente que todas essas empresas fecharam as portas definitivamente. A SRT considera empregadores que possuem pelo menos um funcionário registrado no sistema de seguro contra acidentes de trabalho. Portanto, uma empresa também pode deixar de aparecer na lista por ficar sem trabalhadores registrados ou passar por mudanças cadastrais.
Somente em julho, foram registrados 948 empregadores a menos em comparação com junho. No mesmo período, o país perdeu 3.485 postos de trabalho formais.
Consumo fraco e contas altas pressionam empresas
Entre os fatores que ajudam a explicar o cenário estão o consumo enfraquecido, os custos elevados e a maior concorrência com produtos importados.
Segundo entidades empresariais e o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), muitas empresas enfrentam dificuldades para manter as contas em dia, enquanto as famílias têm menos dinheiro disponível para gastar.
A Confederação Argentina da Média Empresa (CAME) aponta que o aumento das contas de serviços e o endividamento das famílias reduzem o poder de compra da população. Com o orçamento apertado, os consumidores acabam priorizando despesas essenciais e cortando outros gastos.
A situação também pesa sobre os pequenos e médios negócios, que precisam lidar com despesas elevadas e dificuldades para conseguir crédito. A União Industrial Argentina (UIA) destaca os custos de energia, os impostos e as condições de financiamento entre os principais obstáculos para as indústrias.
Produtos importados aumentam a concorrência
Outro fator que pressiona a indústria argentina é o avanço dos produtos estrangeiros após a redução de barreiras às importações.
De acordo com o CEPA, as compras de bens de consumo do exterior cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2023. Na mesma comparação, a produção industrial argentina recuou 12%.
O cenário ocorre durante a política de forte corte de gastos públicos adotada pelo governo Milei, que busca combater a inflação e reorganizar as contas do país.
Os efeitos, porém, não são iguais em todos os setores. Em julho, comércio e indústria registraram retração na comparação com o mesmo mês de 2025, enquanto a mineração apresentou crescimento.
Os números mostram os desafios enfrentados pela economia argentina, com redução no número de empregadores cadastrados e perda de postos de trabalho formais em meio às dificuldades de consumo e aos custos elevados.