Omissão
Animais abandonados seguem sem assistência e moradores cobram ação do poder público em Birigui
Cães e gatos atropelados, doentes ou abandonados continuam dependendo da boa vontade de protetores independentes e voluntários, enquanto a cidade ainda não oferece um serviço estruturado para atendimento emergencial desses animais.
Birigui - Quem encontra um cachorro atropelado, um gato gravemente ferido ou um animal abandonado em Birigui quase sempre enfrenta o mesmo problema: não sabe para quem recorrer. Sem um serviço público específico para resgate e atendimento, a responsabilidade acaba recaindo sobre protetores independentes, ONGs e moradores.
Diariamente, pedidos de ajuda são compartilhados nas redes sociais para socorrer animais vítimas de atropelamentos, maus-tratos ou abandono. Na maioria das vezes, o atendimento depende exclusivamente de voluntários, que arcam com despesas de transporte, consultas, medicamentos e alimentação.
Um caso recente ilustra a dificuldade enfrentada por quem tenta socorrer animais em Birigui. Uma moradora encontrou um gato gravemente ferido e decidiu resgatá-lo, mas, sem condições financeiras para arcar com o tratamento veterinário, buscou ajuda na cidade. Segundo ela, não conseguiu apoio do poder público, nem de organizações de proteção animal às quais recorreu. A moradora afirma ainda que também tentou contato com uma vereadora conhecida por defender a causa animal, mas não obteve o auxílio esperado. Diante da falta de suporte, precisou contar apenas com a solidariedade de pessoas próximas para tentar salvar o animal.
Estrutura insuficiente
Embora o município promova campanhas de castração e outras ações pontuais, moradores apontam a falta de uma equipe permanente para resgatar animais feridos ou em situação de risco.
Sem esse serviço, a população recorre à Guarda Civil Municipal, Corpo de Bombeiros ou Polícia Militar, órgãos que possuem outras atribuições e nem sempre conseguem atender essas ocorrências.
Voluntários assumem a responsabilidade
Enquanto isso, protetores independentes seguem sobrecarregados. Além dos altos custos com atendimento veterinário, muitos já não têm espaço para receber novos animais. O abandono continua aumentando, com cães e gatos sendo encontrados frequentemente em bairros, terrenos baldios, praças e estradas rurais.
Cobrança por políticas públicas
Defensores da causa cobram a criação de políticas públicas permanentes, como uma equipe municipal de resgate, atendimento veterinário emergencial, um canal específico para chamados e fiscalização mais rigorosa contra abandono e maus-tratos.
Enquanto essas medidas não são implantadas, animais abandonados continuam dependendo quase exclusivamente da solidariedade de voluntários, que acabam exercendo um papel que, segundo moradores, deveria contar com maior participação do poder público.
Promessas que aparecem em época de eleição
Entre protetores e moradores, a crítica é frequente: a causa animal costuma ganhar destaque apenas durante campanhas eleitorais. Nesse período, candidatos apresentam propostas de castração, hospitais veterinários públicos e programas de proteção. Após as eleições, porém, muitos afirmam que o tema perde espaço e as promessas acabam não saindo do papel.