carros
A lição da Noruega: rica pelo petróleo, mas líder global em carros elétricos
País utiliza lucros dos combustíveis fósseis para financiar transição energética e eletrificação acelerada da frota.
A Noruega consolidou-se como a líder global na transição para a energia limpa, mesmo sendo um dos maiores produtores de petróleo e gás do mundo. O paradoxo econômico revela uma estratégia de usar a riqueza fóssil para financiar metas climáticas ambiciosas, especialmente no setor automotivo. O país busca zerar a venda de carros a combustão em curto prazo.
Os números refletem o sucesso dessa política de incentivos. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), o uso de petróleo no transporte rodoviário norueguês caiu cerca de 12% desde 2021. Essa redução é resultado direto da substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis por modelos elétricos, apoiada por benefícios tributários e infraestrutura.
Fundo soberano e energia renovável
Para gerir os lucros do setor de energia, o governo criou o Government Pension Fund Global, um fundo soberano que acumulou cerca de R$ 11,2 trilhões até 2025. Esse montante garante a estabilidade econômica e permite investimentos massivos em infraestrutura renovável, como hidrelétricas e parques eólicos flutuantes.
À medida que a Europa incorpora cada vez mais fontes renováveis intermitentes, aumenta a necessidade da flexibilidade que o gás pode oferecer para equilibrar as oscilações.
Além da eletrificação urbana, a própria indústria petrolífera norueguesa tenta reduzir seu impacto ambiental. Projetos como o Hywind Tampen, o maior parque eólico flutuante do mundo, fornecem eletricidade limpa para as plataformas no Mar do Norte. Essa integração visa diminuir a pegada de carbono durante a produção de gás natural exportado para a União Europeia.
Contudo, o modelo gera debates internacionais sobre a dependência financeira de recursos finitos. O FMI alerta que, embora a Noruega tenha um planejamento robusto, o foco excessivo em receitas naturais pode desafiar o crescimento de longo prazo em outros setores. O país segue como o principal fornecedor de gás para o bloco europeu em 2025.
Com informações de Autoesporte (G1).